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Pesquisa

Pessimismo com o país derruba popularidade de Bolsonaro

Conceitos de ruim/péssimo subiram 10 pontos percentuais em um mês, segundo pesquisa JOTA/Ibpad

Bolsonaro
Presidente da República, Jair Bolsonaro / Crédito: Alan Santos/PR

Demonstrando pessimismo com o futuro e divergindo majoritariamente dos rumos do país, o brasileiro confere neste momento ao presidente da República Jair Bolsonaro (PSL) os piores índices de popularidade desde o início de sua gestão.

Os conceitos de ruim/péssimo subiram 10 pontos percentuais no intervalo de um mês, segundo a mais nova pesquisa JOTA/Ibpad, realizada entre os dias 29 de outubro e 2 de novembro. 

O presidente detém 30,9% de conceitos bom/ótimo, contra 35,2% do levantamento anterior, realizado na última semana de setembro. No início da série, em julho passado, a aprovação era de 40,1%.

Os entrevistados que classificam a administração de Bolsonaro ruim ou péssima somam 42,1%, variação expressiva em relação ao mês passado. Em julho, a reprovação era de 35,5%.

O grupo que considera a gestão regular passou de 29,1% para 22% no último mês. Em julho, era de 22,4%. A pesquisa testou duas versões de perguntas distribuídas aleatoriamente: “Na sua avaliação, o governo do presidente Jair Bolsonaro está sendo ótimo, bom, regular, ruim ou péssimo?” e  “Na sua avaliação, o governo do presidente Jair Bolsonaro está sendo ótimo, bom, ruim ou péssimo?”.

Otimismo x rumos do país

Os indicadores de sentimento da população sobre o futuro do país também apresentaram queda. A taxa de brasileiros que se dizem otimistas passou de 32% para 26,8% no último mês. Outro indicador é a percepção se o Brasil está no rumo certo ou errado, em setembro 44,1% consideravam que o país estava no rumo certo, hoje são 29,7%. 

A aprovação do presidente encolheu nas regiões Norte, Nordeste e Sudeste –que, em razão de sua densidade, é a que tem maior potencial de afetar negativamente a base de apoio bolsonarista.

Os jovens de 16 a 24 anos são os que menos aprovam o governo, 17,8% de conceitos bom/ótimo. A pesquisa também mediu queda de apoio entre a população mais velha, com 60 anos mais, passou de 45,6% para 36,3% a taxa de conceito bom/ótimo nesse perfil.

Diminuiu a diferença na avaliação do governo entre homens e mulheres. Na última semana de setembro, 43,2% dos homens e 30,3% das mulheres atribuíram conceito bom/ótimo ao governo. Hoje são 36,6% dos homens e 29,2% das mulheres que atribuem essa avaliação.

Quando o recorte é por escolaridade, Bolsonaro obtém mais respaldo entre os brasileiro com ensino superior (43,2%) e é mais reprovado pelos que têm apenas o ensino fundamental 29,7% de bom/ótimo.

Se observado o critério de renda, o presidente alcança seus melhores índices entre os que possuem rendimentos superiores a R$ 6.000 mensais (65% de bom/ótimo) e sua pior avaliação entre os que declaram não possuir rendimento (45% de ruim/péssimo).

Lula Livre

Para 45,3% dos brasileiros uma eventual soltura do o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva da prisão é vista uma decisão “errada”, os que acham uma decisão “correta” por parte das autoridades somam 40,3%.

Informações sobre o levantamento

A pesquisa foi feita com 1.042 pessoas, por telefone, entre os dias 29 de outubro e 2 de novembro e conta com respondentes em 304 municípios, nos 26 Estados e no Distrito Federal. O sexo  de 5 respondentes foi atribuído por meio de sorteio porque os aplicadores não conseguiram identificar essa informação durante a entrevista. A precisão desta pesquisa é medida usando um intervalo de credibilidade. Neste caso, o intervalo calculado é de mais ou menos 3%. A seleção da amostra foi aleatória e após a coleta o time de dados do JOTA Labs aplicou um modelo de regressão multinível para conjugar os dados da pesquisa aos dados do Censo antes de aplicar pós-estratificação usando variáveis como gênero, idade, escolaridade, renda, região do país e declaração de religião. Essa modelagem estatística é importante para garantir o balanceamento da amostra e segue técnicas propostas por professores como Andrew Gelman (http://www.stat.columbia.edu/~gelman/research/unpublished/MRT(1).pdf).


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