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Sérgio Lazzarini: ‘intervenção na economia precisa ser passageira’

Para professor, que participou do webinar JOTA-Insper, não pode ocorrer uma volta ao keynesianismo

sérgio lazzarini
Crédito: Insper

O intervencionismo do Estado na economia precisa ser passageiro, restrito ao período de crise, avalia o professor Sérgio Lazzarini, Ph.D. em Administração nas áreas e organização e estratégia. Para ele, não pode ocorrer uma volta do keynesianismo, como alguns defendem, com amplos gastos públicos para impulsionar a economia. “O Estado permanece relevante, mas atendendo a áreas estratégicas nas quais o setor privado não consegue atuar”, disse Lazzarini durante webinar realizado nesta quinta-feira (23/4) em parceria do JOTA com o Centro de Gestão e Políticas Públicas do Insper.

Lazzarini é refratário ao retorno da corrente que, assim como na crise financeira em 2008, defende atuação forte do Estado. “Isso é muito perigoso, a conta vai vir na frente”, alerta. “O que a gente precisa no momento é de apoio do Estado para estimular o aumento da infraestrutura necessário em meio à pandemia”.

Segundo ele, um exemplo de uso do aparato estatal para resolver um problema pontual é a participação da Caixa Econômica Federal na transferência de recursos para a população de baixa renda. “É diferente de ficar salvando setores, o que seria um erro porque é uma prática que acaba se perpetuando”, avalia. “Precisamos de requisitos mais horizontais de atuação”.

Por parte do poder público, o entendimento do professor é o de que falta uma coordenação geral. “Precisamos partir para um objetivo comum para que tudo seja alinhado, até para a celeridade do processo”, defende. “Deveríamos estar com um painel nacional de acompanhamento de estados e municípios, para monitorar a evolução da doença e também para definir parâmetros para a reabertura”, diz. Ele lembrou ainda que, seguindo padrões internacionais, uma reabertura totalmente baseada em informações é viável. No entanto, considera que estamos muito longe disso, já que não temos nenhuma estratégia nacional.

Outro exemplo de falta de coordenação, disse, foi o anúncio do plano Pró-Brasil, apelidado de Plano Marshall da Casa Civil, sem a participação da equipe econômica do governo federal. A ideia é aumentar investimentos públicos para ativar a economia, assim como governo dos Estados Unidos fez para auxiliar países aliados da Europa depois da Segunda Guerra Mundial.

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Na última quarta-feira (22/4), o secretário especial de Desestatização, Desinvestimento e Mercados do Ministério da Economia, Salim Mattar, afirmou que o Plano Marshall dependeu do governo americano e que a União não tem “dinheiro sobrando”.

“Falar em mais gastos é muito preocupante”, afirma o professor do Insper Sérgio Lazzarini. “Temos que evitar abrir a porteira do gasto público demasiadamente e depois a coisa não parar mais”, diz. Para ele, estamos em um momento em que precisamos acionar os instrumentos estatais para suprir ações que o setor privado não consegue lidar, mas depois, precisamos voltar para a trajetória anterior, de investimento privado e também de discussões de reformas.

O Estado, nesse momento mais emergencial, precisa facilitar a produção de itens como respiradores e máscaras. “Há muitas regulamentações para as empresas que querem contribuir, e essas regras têm que ser flexibilizadas”, defende Lazzarini. “Também cabe ao Estado ter um papel indutivo, buscando saber o que mais está faltando para direcionar as linhas de crédito”, completa.