Agregador de Pesquisas

Eleições 2018

Agregador de pesquisas do JOTA mostra Lula na frente e incertezas

Nova ferramenta, agregador mostra petista oito pontos à frente de Jair Bolsonaro

Agregador de pesquisas do JOTA
Crédito: Pixabay

Dias antes de o Supremo Tribunal Federal (STF) decidir se o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva poderá recorrer de sua condenação por corrupção e lavagem de dinheiro em liberdade, o agregador de pesquisas do JOTA, lançado nesta segunda-feira, mostra o ex-presidente ainda na dianteira com 18,5% dos votos, mas apenas oito pontos à frente do segundo lugar, o deputado Jair Bolsonaro (PSL). 

O agregador JOTA de pesquisas não constitui pesquisa eleitoral, sendo mera ferramenta que permite que os resultados de pesquisas eleitorais espontâneas elaboradas por diferentes institutos e devidamente registradas junto ao TRE (Tribunal Regional Eleitoral) sejam agregadas (para saber quais pesquisas foram usadas clique aqui). O objetivo é mostrar intenções de voto mais próximas da realidade, conforme modelo estatístico desenvolvido pelo JOTA.

O agregador do JOTA mostra também que, a pouco mais de seis meses das eleições, o eleitor brasileiro ainda não demonstra clareza sobre suas preferências. O resultado se refere a uma análise de dados sobre pesquisas espontâneas –nas quais o eleitor responde de cabeça em quem pretende votar, sem sugestão de nomes. Estas seguem razoavelmente estáveis desde o ano passado e sugerem altíssimo índice de respostas indefinidas (“não sabe”, não respondeu e “branco/nulo” somam quase metade do eleitorado)

A análise do JOTA mostra que nesta segunda-feira os candidatos se posicionam assim: Lula teria 18,5% (variando entre 15,1% e 22,1%), Bolsonaro apareceria com 10,5% (variando de 7,3% a 14,4%), o governador Geraldo Alckmin (PSDB) com 3,6% (entre 1,8% e 6%), Ciro Gomes (PDT) tem 3,9% (variando de 1,8% a 6,5%) e Marina Silva (REDE) aparece com 3,3% (de 1,9% a  5,9%). Todos os valores consideram intervalos de 95% de confiança. O valor de não sabe no nosso modelo chega a 42,3%, variando de 38,8% até 45,7%.

+JOTA: Conheça a cobertura especial do JOTA PRO

Além da distância das eleições, furacões políticos não faltam para explicar a indefinição –desde a incerteza sobre a candidatura de Lula até o anúncio do presidente Michel Temer de que pretende concorrer, apesar da baixa popularidade ou a operação da Polícia Federal envolvendo alguns dos seus principais aliados.

E é justamente para lidar com essa incerteza que o JOTA criou o agregador de pesquisas eleitorais. Para a ferramenta interativa, acesse https://data.jota.info/agregador/index.html.

Inovação

Nos últimos meses, o JOTA criou um modelo estatístico próprio para agregar as diferentes pesquisas e mostrar tendências eleitorais. Essa prática de agregar pesquisas é pouco comum no Brasil e ficou famosa nos EUA no site de Nate Silver, o FiveThirtyEight, que usa ferramentas estatísticas para analisar eleições. O modelo é bayesiano e usa informações anteriores para aprender a partir dos dados e tentar diminuir o grau de incerteza.

Outros modelos feitos por jornalistas e profissionais diversos usam média de pesquisas, mas o JOTA entende que isso pode inserir distorções nos resultados, por vários motivos.

O primeiro é que existem institutos mais confiáveis do que outros. Além disso, as amostras são coletadas de forma diferente, usando métodos diferentes e em datas diferentes. Por fim, a inferência bayesiana permite que o modelo do JOTA seja explícito em relação aos pressupostos assumidos.

Ao contrário dos EUA, em que o número de pesquisas é elevado, no Brasil, há muito poucas, e por isso é preciso fazer algumas considerações para lidar com a escassez. Seguindo padrões internacionais, o agregador de pesquisas do JOTA usa resultados de pesquisas espontâneas e não estimuladas, porque esses dados tem mais precisão.

É natural que, para este momento, o modelo assuma uma grande incerteza para o futuro. Com a entrada de novas pesquisas e com a consolidação do cenário eleitoral a partir do fim do prazo para inscrição de candidaturas, ele será gradualmente aprimorado para que obtenha uma precisão preditiva maior.

Existe uma chance de que as próprias amostras sejam enviesadas simplesmente por falta de sorte, o que os americanos chamam de luck of the draw. Para lidar com todos esses problemas, o JOTA montou uma modelagem estatística para agregar as pesquisas. Usamos resultados de institutos como o Datafolha, Ibope e MDA. Uma das vantagens dessa modelagem é que podemos comparar institutos que utilizam metodologias razoavelmente diferentes e melhorar a precisão de seus resultados.

Para o futuro, com a proximidade das eleições, uma vez que será mais fácil introduzir medidas como o cálculo de “house effects”, acrescentaremos  pesquisas de outros institutos.


Faça o cadastro gratuito e leia até 10 matérias por mês. Faça uma assinatura e tenha acesso ilimitado agora

Cadastro Gratuito

Cadastre-se e leia 10 matérias/mês de graça e receba conteúdo especializado

Cadastro Gratuito