Dados

Opinião nacional

Moro: 44% dos brasileiros acham que ministro deveria se afastar da política

Mais da metade dos entrevistados acha que o governo Bolsonaro tem compromisso com a ética e o combate à corrupção

Crédito: Valter Campanato / Agência Brasil
Uma versão mais completa deste conteúdo foi distribuída antes, com exclusividade, aos nossos assinantes JOTA PRO
Esta reportagem foi alterada às 17h38 de 10 de fevereiro de 2020 para correção dos gráficos. A pesquisa foi realizada entre 28 e 31 de janeiro de  2020, não em 2019

Ao serem questionados sobre qual é o caminho mais adequado para o ministro da Justiça e ex-juiz, Sergio Moro, 44,1% dos brasileiros apontam que ele deveria se afastar da política. É o que mostra a nova pesquisa JOTA/Ibpad realizada entre os dias 28 a 31 de janeiro.

Outros 21,3% acreditam que o atual ocupante da pasta da Justiça deveria se tornar ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).

Ao mesmo tempo, mais de um em quatro brasileiros vislumbra um caminho para Moro vinculado à política nas próximas eleições, em 2022. Segundo a pesquisa de opinião nacional do JOTA, 18,8% avaliam que ele deveria ser candidato à presidência da República na próxima disputa eleitoral. Já 8,3% acreditam que se tornar vice-presidente de Jair Bolsonaro (sem partido).

Na semana passada, a pesquisa mostrou que Bolsonaro iniciou o segundo ano de mandato com taxa de aprovação estabilizada, com ligeiro viés de alta, com 34% de avaliações bom/ótimo.

O mesmo levantamento indicou uma percepção geral de melhora na economia, mas 59% dos eleitores acreditam que a economia “ainda vai demorar muito para se recuperar”, o que leva a uma menor pressão de recuperação imediata sobre Bolsonaro, conforme observou o analista-chefe do JOTA em São Paulo, Fábio Zambeli. E, sem pressão, o presidente tende a ceder ao populismo digital e a deixar pauta reformista em segundo plano.

Nos próximos dias, o JOTA divulgará mais recortes da pesquisa de opinião nacional. Há informações relevantes sobre a percepção da população sobre o desemprego, os potenciais de votos em políticos como Luiz Inácio Lula da Silva, Sergio Moro e Fernando Haddad, e Ciro Gomes.

Combate à corrupção

Um eventual caminho eleitoral para o atual ministro da Justiça ainda é incerto. Mas se a possibilidade for à frente, pode ser pavimentada por resultados já entregues nesta gestão — como a queda nos índices de homicídios.

Além disso, por ocupar a principal pasta de combate à corrupção, Moro poderia capitalizar a boa percepção que a população tem do compromisso do governo de Jair Bolsonaro em relação à ética e ao combate à corrupção.

Segundo o levantamento do JOTA, 55,1% dos brasileiros acreditam que o governo Bolsonaro tem compromisso com a ética e o combate à corrupção — 35% responderam que não há compromisso com as temáticas e 9,9% não souberam responder.

Levantamento

A pesquisa foi feita com 1.022 pessoas, por telefone, entre os dias 28 e 31 de janeiro e conta com respondentes em 387 municípios, em 25 Estados e no Distrito Federal. O sexo de 17 respondentes foi atribuído por meio de sorteio porque os aplicadores não conseguiram identificar essa informação durante a entrevista. A precisão desta pesquisa é medida usando um intervalo de credibilidade. Neste caso, o intervalo calculado é de mais ou menos 3,1%.

A seleção da amostra foi aleatória e após a coleta o time de dados do JOTA Labs aplicou um modelo de regressão multinível para conjugar os dados da pesquisa aos dados do Censo antes de aplicar pós-estratificação usando variáveis como gênero, idade, escolaridade, renda, região do país e declaração de religião. Essa modelagem estatística é importante para garantir o balanceamento da amostra e segue técnicas propostas por professores como Andrew Gelman.


Cadastre-se e leia 10 matérias/mês de graça e receba conteúdo especializado

Cadastro Gratuito