Agregador de Pesquisas

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Bolsonaro estabiliza abaixo dos 30% e Haddad passa os sem candidatos

É a primeira vez que os eleitores que declaram branco ou nulo ficam em terceiro no modelo do agregador do JOTA

Bolsonaro

Com a inclusão das últimas pesquisas Ibope, XP/Ipespe, BTG/FSB, a curva do candidato Jair Bolsonaro (PSL) parece ter se estabilizado pela primeira vez desde agosto.

Ele está na casa dos 28,5% – e não ultrapassa a barreira dos 30% por pouco. Já a curva de Fernando Haddad (PT) permanece em forte alta, com o petista chegando a quase 19%.

Os sem candidatos aparecem em terceiro lugar, com 17%. É a primeira vez que as pessoas que declaram branco ou nulo ou dizem não saber em quem votarão caem para terceiro desde o começo da eleição.

A curva de Ciro Gomes (PDT) e Marina Silva (Rede) são descendentes, enquanto Geraldo Alckmin (PSDB) tem um pequeno respiro, depois de forte queda na semana anterior. Alvaro Dias (PODEMOS) também tem queda consolidada e já está atrás de João Amoedo (Novo).

Resultados

Veja a seguir os resultados do agregador nesta terça-feira (25/9):

  • Jair Bolsonaro aparece com 28,5%, variando entre 27,9 % e 29,5%.
  • Fernando Haddad tem 18,8%, indo de 18,1% a 19,5%.
  • Ciro Gomes aparece com 11,3%, podendo chegar a 10,7% ou 11,9%.
  • Geraldo Alckmin aparece com 8,1%, variando entre 7,5% e 8,6%.
  • Marina Silva aparece com 5,4%, entre 4,9% e 5,9%.
  • Alvaro Dias tem 2,2%, indo de 1,9% a 2,6%.
  • João Amoedo tem 2,9%, indo de 2,5% a 3,3%.
  • O valor de não sabe, nulos e branco chega a 17,1%, indo de 16,4% a 17,8%.

Metodologia

O agregador utiliza pesquisas dos institutos Datafolha, Ibope, MDA, Poder 360, BTG/FSP e Ipespe/XP divulgadas desde junho de 2018 até as mais recentes pesquisas, tornadas públicas esta semana. O modelo será atualizado com a divulgação das próximas pesquisas dos institutos. A pesquisa Datafolha desta quarta-feira é importante por ter uma amostra de mais de 8 mil pessoas.

Datafolha, Ibope e MDA têm peso maior no agregador por um critério simples: em eleições anteriores, esses três institutos se mostraram mais precisos, segundo levantamento feito por nossa equipe. Como BTG, Ipespe e Poder 360 não têm base comparativa para eleições anteriores, eles entram no modelo com peso menor. O modelo também insere um certo grau de incerteza por meio de variâncias, criando intervalos de confiança (registrados no gráfico acima com as bandas coloridas para cada candidato).

O modelo do agregador em pesquisa estimulada – assim como nosso modelo anterior para espontânea – é bayesiano e adapta códigos formulados pelo cientista político Simon Jackman. Agregar pesquisas por médias simples é perigoso por diversos motivos. Primeiro, dá-se peso igual a diferentes institutos. Mais importante, dá-se peso igual a pesquisas mais distantes e mais próximas da eleição. Os resultados históricos de eleições passadas mostram que pesquisas realizadas mais próximas das eleições se aproximam mais dos resultados finais – o que é algo intuitivo, já que as pessoas passam a consolidar mais o seu voto. Tão importante quanto isso é o fato de médias simples simplesmente ignorarem a diferença de tamanho de amostras. Uma pesquisa com apenas 1000 pessoas entrevistadas produz menos confiança do que uma pesquisa com 2000 pessoas (fato definido na teoria estatística com duas leis importantes: a lei dos grandes números e a teoria do limite central ). O N de uma pesquisa é algo definidor para a sua confiança – e o tamanho passa a ser menos relevante, normalmente, após uma amostra com mais de 2000 pessoas.

Por isso, o modelo do JOTA considera três variáveis fundamentais para agregar as diferentes pesquisas:

  • Número de dias para a eleição
  • Tamanho da amostra da pesquisa
  • Histórico do instituto de pesquisa

Com esses critérios, o JOTA acredita que o modelo se torna mais confiável e preciso. A cada modelo realizamos mais de 2500 simulações para que se chegue a um resultado confiável. Além disso, os testes recomendados pela teoria mostram que os resultados convergem para algo confiável. A importância do gráfico abaixo é mostrar que os valores convergem, ou seja, não são fruto de anomalias da modelagem que tornariam impossível de se chegar a um resultado válido. Essa imagem que lembra uma taturana é um teste apresentado na literatura e relevante para confirmar o modelo.

O agregador JOTA de pesquisas eleitorais não constitui pesquisa eleitoral própria, sendo mera ferramenta que permite que os resultados de pesquisas estimuladas elaboradas por diferentes institutos de pesquisa devidamente registradas junto ao TSE sejam agregadas e mostre as intenções de voto mais próximas da realidade, conforme modelo estatístico desenvolvido pela equipe do JOTA.


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