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Na contramão da crise, setor de tecnologia alavanca economia

Pandemia acelera transformação digital, que impulsiona empresas de diversas áreas

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Crédito: Unsplash

A pandemia trouxe desafios imensos. Além da trágica perda de vidas, setores econômicos como os serviços, por exemplo, com seus restaurantes, lojas e hotéis, acabaram severamente prejudicados por causa da clientela em isolamento.

Na contramão das empresas assoladas pela recessão, aquelas que já faziam parte do setor digital ou usaram dele para se renovar conseguiram cavar boas perspectivas. Não à toa, as chamadas “big techs” – as gigantes americanas Amazon, Apple, Facebook e Microsoft – embolsaram bilhões de dólares e registraram recordes. Para se ter uma ideia, a corporação de Jeff Bezos saltou 38% em receita em 2020.

Esse movimento de transformações tecnológicas tem sido classificado como “dez anos em um”, um grande avanço em mudanças que já vinham ocorrendo, porém antes a passos mais lentos. 

Comerciantes e fregueses que antes torciam o nariz para o e-commerce acabaram impelidos a se aventurar pela ferramenta. Segundo a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm), o salto nas vendas on-line em 2020 foi de notáveis 68% em comparação a 2019. A entidade estima ainda que 20,2 milhões de brasileiros realizaram pela primeira vez uma compra pela internet no ano passado. Ou seja, da necessidade e do desafio, criou-se a oportunidade e a evolução da área.

Com a instabilidade econômica e as oscilações no mercado, muita gente investiu em serviços em expansão e já inseridos na era digital, como o delivery e aplicativos de transporte, para gerar renda – o que deu uma força ao país.

Segundo estudo realizado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE) junto à empresa de tecnologia 99, a companhia conseguiu causar impacto positivo nas finanças nacionais em um período turbulento. O serviço intermediado pela 99 acrescentou R$ 15,19 bilhões no valor agregado da economia em 2020. O valor representa 0,21% do PIB brasileiro, que enfrentou queda brusca durante a pandemia. Em 2019, antes da crise sanitária, o mesmo levantamento havia registrado um efeito menor, de 0,18%. A organização também influenciou na geração de 331 mil posições de trabalho indiretas e na arrecadação de R$ 1,3 bilhão em impostos. “Num momento de crise sanitária, econômica e social, a sociedade enxergou na tecnologia uma opção acessível e segura para se locomover em meio à pandemia, além de oferecer a milhares de pessoas uma fonte de renda”, diz Diogo Souto Maior, diretor de Políticas Públicas da 99.

De acordo com uma pesquisa da GeekHunter, plataforma especializada na contratação de profissionais de tecnologia, houve crescimento de 310% na abertura de vagas de trabalho no ramo em 2020, em relação a 2019. Este ano segue na toada da expansão: se comparado o quarto trimestre de 2020 com o primeiro trimestre de 2021, a ampliação de postos se deu na marca de 18%. 

“O setor poderia crescer ainda mais, mas faltam profissionais qualificados”, afirma o CEO da GeekHunter, Tomás Ferrari. “Há oferta e demanda desbalanceadas, resultando em salários altos. São os trabalhadores que estão no poder de decisão de novas oportunidades e não as empresas.” A disputa pelos funcionários brasileiros se acirrou com o home office e a facilidade de contratação por corporações estrangeiras (que pagam em dólar). 

Quem deixar de surfar essa onda de transição deve ficar para trás. Com mudanças tão aceleradas, as companhias necessitam de mais agilidade na adaptação ao novo. “A mudança deve ser contínua e focada”, afirma Leylah Macluf, diretora de talento e transformação da Everis Brasil. “O cenário se tornou tão dinâmico que fica difícil se manter atualizado; é preciso organização para suprir lacunas.” Um estudo da consultoria com grandes firmas do Brasil e de outros países da América Latina observou que, para 81% delas, a transformação digital é considerada o principal motor de mudança na demanda por colaboradores nos próximos cinco anos. 

Os próximos meses, e mesmo anos, ainda se mostram bastante incertos em diversos aspectos após um abalo tão intenso. Entretanto, há a convicção que a revolução digital se estenderá. Durante a pandemia, a tecnologia tirou muitos negócios do ponto morto e impulsionou áreas tão variadas quanto educação, medicina, arte e transportes, desafogando os tão castigados índices econômicos. A renovação, mais do que nunca, é a regra.