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Empresas buscam ciclo virtuoso para impulsionar veículos elétricos no Brasil

Parceria multissetorial liderada pela 99 tem como foco desenvolver infraestrutura e uso de veículos elétricos

carros elétricos
Venda de carros elétricos no Brasil atingiu recorde / Crédito: Divulgação 99

Em 2021, a venda de carros elétricos no Brasil atingiu um recorde: foram 35 mil unidades emplacadas, contra 20 mil no ano anterior. A participação dos carros elétricos no total da frota brasileira mais que dobrou de 2020 para cá: passou de 1% para 2,2% em janeiro de 2022, conforme dados da Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Esses números mostram, ao mesmo tempo, um crescimento acelerado e muito mercado ainda a conquistar.

A fim de criar um ciclo virtuoso no país para a disseminação de veículos elétricos, que produzem impacto ambiental reduzido e têm custo de abastecimento consideravelmente menor, nove empresas do setor de mobilidade urbana se uniram, sob a liderança da 99, com o objetivo de impulsionar a infraestrutura necessária para a adoção em massa da tecnologia. Chamada Aliança pela Mobilidade Sustentável, a iniciativa conta com CAOA Chery, Ipiranga, Movida, Raízen, Tupinambá Energia, Unidas e Zletric.

De montadoras a locadoras, que têm entre seus clientes dezenas de milhares de motoristas parceiros de aplicativos, passando por empresas do setor de energia e startups que instalam pontos de carregamento. Toda a jornada dos motoristas de carros elétricos está contemplada pelas empresas que compõem a aliança, resultado de um esforço multissetorial. As principais metas da 99 para o grupo são: aumentar a participação de carros elétricos no Brasil para 10% das vendas, criar 10 mil estações públicas de carregamento e ter 100% de carros elétricos na frota da 99 até 2030.

Para atingir esses objetivos, a Aliança Pela Mobilidade Sustentável adotará medidas como: criar postos públicos de recarga, diminuir barreiras para a compra de carros elétricos, facilitar o aluguel entre motoristas de aplicativo e fornecer apoio às empresas da cadeia, além de monitorar a recepção do público. Os objetivos da coalizão são inspirados em dois dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas:

  • Garantir o acesso a fontes de energia limpas e acessíveis (item 7);
  • Tornar as cidades e comunidades mais inclusivas e sustentáveis (Item 11).

A união foi celebrada durante um evento em São Paulo, no dia 12 de abril, com a participação de alguns dos principais executivos das companhias. “Na China, por causa dos altos incentivos do governo, o mercado de carros elétricos se desenvolveu muito nos últimos dez anos. Atualmente, o market share dos carros elétricos na China é significativo e cresce a cada ano”, afirmou Ethan Zhang, CEO da CAOA Chery no Brasil. “Há cinco anos, o mercado de carros elétricos era muito pequeno no Brasil. Agora, vemos um avanço claro.”

“Queremos puxar conversas em nível federal, mas também com municípios”, explica Thiago Hipolito, diretor do DriverLAB da 99, centro de inovações da 99 que é 100% focado nos motoristas parceiros. Anunciado em 15 de março, a iniciativa tem investimento previsto de R$250 milhões nos próximos 3 anos, sendo R$100 milhões em 2022. “Escolhemos São Paulo para fazer o lançamento da aliança também porque é uma cidade que já demonstra iniciativas de política pública”, explica.

Pedro Schaan, CEO da Zletric — startup de soluções de energia para mobilidade criada no Rio Grande do Sul —, conta que quando a empresa chegou à capital paulista percebeu que, proporcionalmente, a falta de pontos de carregamento era mais expressiva do que em Porto Alegre (RS), já que em São Paulo o carro elétrico tem incentivos como não pagar IPVA e não precisar ficar na garagem em dia de rodízio. “Mas durante a pandemia a cidade aprovou uma lei determinando que novos projetos de edifícios precisam ter pontos de carregamento”, exalta.

São Paulo, hoje, concentra atualmente a maioria dos 1.250 pontos de recarga e 10 mil usuários ativos da Tupinambá Energia, empresa que atende “desde condomínios residenciais até a malha pública e semipública, onde qualquer motorista pode parar, como grandes varejos e shoppings”, segundo afirma o CEO, Davi Bertoncello. A aliança busca não só expandir a oferta desses serviços, mas também educar os consumidores sobre as vantagens do carro elétrico.

Custo para o motorista

Conforme dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP) referentes a 2022, o custo da energia elétrica em comparação ao da gasolina é cerca de 75% menor. Para percorrer os mesmos 100 quilômetros, o motorista gasta cerca de R$45,76 com gasolina — ou R$11,66 com energia elétrica. Por causa do custo consideravelmente menor para os motoristas, os carros elétricos são particularmente vantajosos para aqueles que costumam dirigir diariamente, como os motoristas de aplicativo.

É daí que surge o principal ponto de simbiose da aliança, tendo os motoristas da 99 como indutores do uso de carros elétricos. Entre motoristas que trabalham em período integral no aplicativo em São Paulo, a média é de 6.000 km rodados por mês. “Às vezes, o motorista até tem condição de comprar um carro elétrico, mas quer testar antes de comprar”, afirma Paulo Chequetti, diretor da área Comercial e Franquias Rent a Car da Unidas, que conta atualmente com uma frota de 200 mil veículos.

Jamyl Jarrus, diretor-executivo de Vendas e Marketing da Movida, diz que a locadora possui “a maior frota de elétricos à disposição do cliente”. Em uma primeira fase, afirma o executivo, o papel das empresas “é desmistificar o uso do carro elétrico”. “É um efeito progressivo do conhecimento da tecnologia, até porque cada motorista [de aplicativo] leva em média 20 passageiros por dia, é um volume enorme de pessoas conhecendo o carro elétrico.”

Gisele Saveriano de Benedetto, líder da área de Energia na Ipiranga, diz que a aliança se conecta com a visão de futuro da empresa: “A gente acredita em um futuro de mobilidade híbrida e multimodal”, afirma. “A Ipiranga tem a localização e a capilaridade, atende o consumidor para abastecer, resolver um problema, comer um lanche”, ela continua. “Com a mobilidade elétrica não é diferente.”

Rafael Rebello, Diretor de Soluções de Energia e Renováveis da Raízen, acredita que a descarbonização é um papel de todos, seja em ofertas a parceiros ou aos consumidores finais: “A eletromobilidade é uma tendência global e o Brasil, além de possuir uma vasta oferta de fontes renováveis, também dispõe do etanol da cana-de-açúcar, o que permite um modelo híbrido em conjunto com o elétrico, garantindo uma redução de emissões muito maior.”