Nova Economia

Coronavírus

O público e o privado em prol de bares e restaurantes

Como empresas e governos têm atuado em prol do setor

bares e restaurantes
Crédito: Unsplash

Há um ano, o mundo entrou em parafuso por conta da pandemia da Covid-19. A crise sem precedentes nas últimas décadas gerou prejuízos incalculáveis, seja do ponto de vista humanitário, social e econômico. Neste cenário, um setor muito importante da economia foi duramente atingido: o de bares e restaurantes.

A pandemia teve impacto direto no funcionamento de bares e restaurantes por uma série de motivos. Alguns deles são mais evidentes e diretos, como as restrições às atividades desses estabelecimentos ou mesmo a adoção de home office por diversas empresas, o que diminui o fluxo no horário do almoço. Outros são indiretos, como o aumento do desemprego e a perda de renda da população que acaba por consumir menos com a alimentação fora do lar.

O setor de alimentação fora do lar, que compreende os bares, restaurantes, lanchonetes e afins, congregava antes da crise mais de um milhão de negócios e gerava mais de seis milhões de empregos, segundo dados da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel). Segundo estimativas do setor, a pandemia contribuiu com o fechamento de mais de 300 mil empresas e uma retração de 25%. A piora na pandemia em 2021 fez com que a Abrasel reduzisse o faturamento do setor de R$ 235 bilhões para R$ 215 bilhões. A Abrasel estima que até o momento 300 mil estabelecimentos do setor fecharam e cerca de um milhão de trabalhadores perderam o emprego no segmento.

As dificuldades enfrentadas pelos restaurantes nesse cenário são variadas. Primeiro, há dificuldade no acesso ao crédito. De acordo com  pesquisa da Abrasel em Janeiro de 2021, quatro em cada cinco donos desses estabelecimentos tentaram obter empréstimos para sustentar seus negócios. Destes, 81% tiveram o crédito negado por instituições financeiras. Além disso, há desafios relacionados ao pagamento de aluguel e na reposição de estoques.  Isso sem mencionar a suspensão de contratos e demissão de funcionários.

Neste cenário difícil, é importante a ação do poder público e dos parceiros do negócio, como aplicativos, para manter o ecossistema de bares e restaurantes ativo. O governo federal se comprometeu a reeditar medidas relacionadas à redução da jornada de trabalho e suspensão de contratos, aumento da carência do Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe) e o lançamento de novas linhas de crédito.

Os governos estaduais também se movimentaram para evitar fechamento de diversos estabelecimentos. Os exemplos vêm do Brasil todo. Em São Paulo, o governo estadual anunciou um aporte de R$ 100 milhões em crédito com juros subsidiados, além de carência para pagamento estendido. O governo do Ceará, por sua vez, anunciou medidas como isenção do pagamento de conta de água e um auxílio para trabalhadores do setor que ficaram desempregados, além de parcelamento de ICMS.

Além do poder público, empresas também colocaram de pé medidas para o setor. Na crise, um parceiro fundamental para bares e restaurantes foram as plataformas de delivery, que permitiram que muitos estabelecimentos continuassem operando mesmo com restrições.  O iFood, em específico, entendeu que era preciso deixar de lado seus objetivos de negócio e procurou também atuar para apoiar o setor. As medidas implementadas pela empresa incluem a redução de taxas; a extensão do prazo de adiantamento de recebíveis sem custos, programa que já antecipou mais de R$ 4 bilhões possibilitando melhor fluxo de caixa para os estabelecimentos; linhas de crédito no Banco do Restaurantes em R$ 500 milhões com taxas e condições especiais; e apoio aos entregadores, com medidas de proteção e cuidados como os Fundos Solidários e de Proteção e a distribuição de kits de prevenção à Covid-19. O iFood também procurou parcerias para aliviar as despesas de bares e restaurantes. Junto com a Supergasbras, a empresa possibilita para os estabelecimentos cadastrados na plataforma descontos de até 40% no botijão de gás.

Todas as ações tanto de governos e do setor privado são paliativas para a questão central, que é conter e eliminar o contágio da Covid-19. Com o vírus fora de controle, o setor de bares e restaurantes ainda estará exposto e continuará sofrendo. Nesse sentido, é fundamental investir em vacinas, única saída cientificamente comprovada para a crise. O iFood também se esforçou nesse sentido, ao realizar uma doação para a construção de uma nova fábrica de insumos do Instituto Butantã. O Brasil ainda se encontra em um momento difícil, mas existe uma luz no fim do túnel.

A ação pública em um contexto complexo como o de pandemia depende da interação de diferentes agentes. Associações de restaurantes, poder público, empresas de tecnologia e sociedade em geral são capazes de construir colaborativamente medidas que atenuem a situação. São momentos difíceis em que a parceria deve ser ressaltada.

As medidas tanto de governos quanto de empresas são exemplos de que poder público e privado podem e devem atuar em conjunto para diminuir os impactos da crise do coronavírus em setores importantes da economia. Tal atuação não deveria ser restrita ao socorro em momentos de crise, a combinação de esforços seria muito benéfica para a retomada pós-covid.

Apesar do momento difícil, o avanço da vacinação da população é um alento e esperança para muitos. É preciso acelerar a vacinação para evitar mais mortes e o fechamento de estabelecimentos. É através da vacinação que os setores público e privado podem começar a planejar a retomada. Os setores público e privado têm grandes desafios pela frente.