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Hospitais projetam, com cautela, declínio definitivo da pandemia no país em 2022

Para Anahp, prioridade no pós-pandemia será o enfrentamento das sequelas da Covid-19 e reorganizar o atendimento de rotina

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Crédito: Pixabay

O diretor-executivo da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp), Antônio Britto, projeta cautelosamente o declínio definitivo da pandemia no país e a normalização do atendimento diário em 2022. O executivo enxerga o retorno de pacientes vítimas de outras patologias que não a Covid-19 e a manutenção da necessidade de enfrentamento de sequelas causadas pela doença.

A cautela a qual Britto se refere está relacionada à imprevisibilidade desta pandemia e sua capacidade de gerar novos desafios. O pé atrás, contudo, não apaga o otimismo com o ano que está prestes a começar. O recuo dos níveis de contaminação abriu espaço para aqueles cujos exames e tratamentos haviam sido adiados nos últimos meses.

“Esse movimento de represamento de todos os demais tratamentos que não eram sobre Covid-19 começou neste ano de 2021, mas nossa previsão é que continue ao longo do ano de 2022. E, claro, a ele vai se somar, já está se somando, o tratamento de sequelas da Covid-19”, explicou.

Essas serão as prioridades para o segmento de hospitais privados no pós-pandemia: a organização para retomada dos atendimentos habituais e para o cuidado daqueles que sofreram sequelas.

Na esfera econômica, a expectativa é de uma redução gradativa dos quadros inflacionários e de uma expansão dos níveis de emprego. A projeção corre o risco de fazer água, entretanto, frente às disposições de agentes econômicos durante o ano eleitoral.

Segundo o executivo, por outro lado, pautas para a resolução da crise de financiamento e de gestão do Sistema Único de Saúde (SUS); das fragilidades da saúde suplementar; e dos problemas de segurança jurídica e regulatória aos entes privados não têm espaço na agenda de 2022.

Mesmo assim, para Britto, não há escapatória. “Nos últimos anos, tivemos uma quase falta de atuação do setor público na propositura de reformas que são hoje essenciais para reequilibrar o SUS e garantir segurança jurídica à saúde suplementar. O novo presidente da República, seja quem for, não vai ter espaço para fugir dessas questões, porque como a pandemia mostrou, são muito graves os problemas que a gente está enfrentando em termos de saúde, problemas esses agravados pela falta de qualquer continuidade política nos últimos anos”.

“Não há sistema de saúde que resista”, concluiu.