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Produção de soja no Brasil deve aumentar 5% em 2022 e bater novo recorde

Espera-se que fatia significativa da produção seja direcionada à exportação, em detrimento do mercado doméstico

Soja: produção deve crescer 5% em 2022, para novo recorde
Crédito: Pixabay

A produção de soja no Brasil deve atingir recorde de 142,215 milhões de toneladas em 2022, saltando 5% ante o volume de 138,3 milhões de toneladas colhido no ano anterior, apontou o economista-chefe da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), Daniel Amaral. A estimativa é de que a exportação, o estoque e o processamento do grão cresçam 9%, 5% e 3%, respectivamente.

O prognóstico para o consumo doméstico de óleo de soja, por outro lado, é de nova e mais intensa redução, de 8,2 milhões de toneladas para menos de 8 milhões de toneladas. O recuo, segundo o especialista, deve-se, mais uma vez, à menor necessidade da matéria-prima para a produção de biodiesel no país, simultânea à estabilidade do consumo para fins alimentícios. A somatória é o redirecionamento de fatia significativa da produção nacional de soja à exportação, agora projetada em 1,6 milhão de toneladas.

A entidade censurou a falta de previsibilidade em relação ao percentual da mistura do biodiesel ao diesel comercial devido às mudanças do governo na mistura para B10 e B12.

Conforme cronograma do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), deveria se chegar a 13% de teor de biodiesel (B13) até fevereiro de 2022; 14% (B14) de março a dezembro; e até 2023 chegaríamos ao B15. Em novembro, o órgão estabeleceu como de interesse nacional a fixação do teor de mistura obrigatória do biodiesel no óleo diesel fóssil em 10% neste ano. A resolução visa a mitigar os impactos da recente disparada dos preços do biodiesel, da taxa de câmbio e da cotação do óleo de soja sobre o preço do combustível.

“A manutenção do B10 precisa ser revertida, senão teremos de fato um cenário de desinvestimentos e afastamento de aportes futuros no setor com impactos diretos na eliminação de empregos e de PIB verdes. O incremento da produção de biodiesel proporciona crescimento da oferta de farelo de soja e, portanto, da oferta de alimentos no Brasil,” criticou Amaral.

Em 2022, a Abiove planeja exercer pressão sobre o poder público para retomada do cronograma, respeitando os aumentos graduais da mistura do biodiesel ao diesel comercial chegando a 15% em 2023. De acordo com o economista-chefe da associação, existe hoje capacidade instalada no setor para atender até o B18.

Em compensação, o plano será afetado pela imprevisibilidade das eleições e pelo posicionamento dos candidatos frente à agenda do setor — além de entraves logísticos e políticas ambientais.

“Toda a cadeia de produção depende dos processos logísticos para ganhar eficiência, e os transportes têm impacto direto nos custos dos alimentos, o que afeta imediatamente a balança econômica e a sociedade,” disse Amaral. “As questões referentes ao meio ambiente também têm que ser valorizadas, sobretudo porque estão cada vez mais ditando as relações comerciais a exemplo das novas exigências da União Europeia perante a produtos agrícolas brasileiros associados ao desmatamento,” concluiu.

Brasília

A associação entende: 2022 será desafiador em virtude das eleições gerais, mas há diversos temas e projetos que precisam avançar. Na análise de Giuseppe Lobo, gerente de relações institucionais da Abiove, um deles é o PL 1873/2021, do deputado Ricardo Barros (PP-PR). A matéria cria um programa de combustíveis verdes para fomentar sua produção e consumo, bem como do governo federal a responsabilidade de definir toda a regulação para o setor.

Outro projeto central para a entidade é a regulação econômica da praticagem. “O governo avançou muito na agenda de infraestrutura, e precisa dar mais esse passo para a soja brasileira tornar-se mais competitiva da porteira para fora,” avaliou Lobo.

No Judiciário, Dalton Miranda, gerente de tributação da Abiove, contou que a representante das indústrias de óleos vegetais mira em temas relacionados à tributação, à infraestrutura, às relações comerciais e ao crédito agrícola. Isso significa acompanhar tentativas reflexas de se tributar a exportação e a produção; concessões e trafegabilidade; cumprimento das legislações ambientais; relação com fornecedores e casos não fundamentados de não entrega de mercadorias.