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Banco Central planeja acentuar redução da alíquota de compulsório

Até o momento, desde o início de março, a alíquota já caiu de 31% para 17%; medidas de liquidez ao mercado somam R$ 1,2 tri

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Crédito: Agência Senado

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou na noite deste sábado (4/4) que a autoridade monetária está elaborando estudos para liberar uma parcela maior do compulsório aos bancos para minimizar os efeitos do coronavírus na economia. Até o momento, desde o início de março, a alíquota já caiu de 31% para 17% e há margem para acentuar a redução.

Além de uma nova liberação de compulsório, Campos Neto afirmou que os bancos já começam nesta semana a custear parte das folhas de pagamento de pequenas e médias empresas, medida anunciada ontem (3/4) e que deve atingir 1,4 milhão de empresas e 12 milhões de trabalhadores.

De acordo com o presidente, o BC também trabalha para aprovar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa possibilitar ao órgão comprar diretamente créditos públicos e privados no mercado financeiro, hoje proibido pelo artigo 164 da Constituição Federal. Um dos objetivos da proposta é impedir o travamento do mercado de crédito.

Na live, o presidente do BC apresentou um cenário elaborado pela The Economist Intelligence Unit no qual a publicação aponta para uma queda do PIB de 5,5 este ano. Antes da pandemia do coronavírus, a expectativa era de um crescimento de 2,4%.

No total, as medidas de liquidez ao mercado já ultrapassam R$ 1,2 trilhão, aproximadamente 16,7% do PIB. A maior medida foi a que possibilitou empréstimos com lastro em letras financeiras garantidas, com um impacto de R$ 670 bi.

Os números foram anunciados na noite deste sábado em webinar promovido da XP Investimentos.

Segundo o presidente do BC, as medidas financeiras brasileiras já são as maiores se comparadas com países emergentes: na Índia, as ações representaram 3,1% do PIB e na Malásia, com 2,1%.

Os números de medidas de mitigação aos efeitos da Covid-19 já são bem maiores quando comparadas com aquelas tomadas durante a crise financeira de 2008, época a qual as todas ações de liquidez da autoridade monetária chegaram ao valor de R$ 117 bilhões, valor que representava R$ 3,5% do PIB.

Para Neto, os números mostram que o sistema brasileiro está sólido e “muito líquido”.

As medidas de liquidez anunciadas pelo BC estão divididas em empréstimos com lastro em debêntures, liberação adicional de compulsório, flexibilização da LCA, entre outras.