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Toffoli elogia Aras por ‘exercer suas funções com firmeza’, mas ‘sem fazer holofotes’

O presidente do STF disse que se deve atuar nos autos e ‘não por meio da mídia como outros no passado’

Toffoli Aras
PGR Augusto Aras e ministro Dias Toffoli durante sessão plenária do STF / Crédito: Nelson Jr./SCO/STF

Nesta segunda-feira (8/6), o ministro Dias Toffoli, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), elogiou o trabalho de Augusto Aras como procurador-geral da República, e disse que  ele tem exercido suas funções “sem fazer holofotes”, como foi o caso de alguns de seus antecessores na Procuradoria-Geral da República (PGR).

A fala foi feita durante o III Fórum Nacional de Corregedores (FONACOR), realizado por meio de videoconferência nesta segunda-feira (8/6) pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Este foi o primeiro compromisso público de Toffoli após duas semanas de licença-médica em decorrência de uma cirurgia e posterior internação. 

Toffoli disse que o procurador-geral da República Augusto Aras “tem sido uma pessoa também que, neste momento pelo qual o país passa, tem tido muita prudência e tem atuado com muita parcimônia”.

“Exercer as suas funções com altivez, com firmeza, com liderança, mas sem – como num passado infelizmente recente – fazer holofotes. E é assim que tem que ser, tem que atuar nos autos, tem que atuar sem fazer muita chama ou iluminação”, disse Toffoli. “Tem que atuar com as provas, com o que há nos autos, com o que há no processo, não é pelo meio da mídia, não é por meio de discursos que as coisas se resolvem, as coisas se resolvem na atuação concreta como o que existe de concreto nos feitos”. 

“Fica aqui meu testemunho da firmeza, da coragem de atuação e, mais do que nunca, de não cair na vaidade que outros no passado caíram de achar que o holofote é a solução, quando não é. É o trabalho, é a dedicação, é o conteúdo, é a defesa da instituição, que é o que a vossa excelência vem fazendo”, continuou.

Toffoli também aproveitou para prestar sua “solidariedade em relação a críticas injustas” que foram dirigidas a Augusto Aras recentemente. Nas últimas semanas, o PGR tem sido criticado por ser visto como “aliado” do presidente da República Jair Bolsonaro, e de se omitir em relação a algumas atitudes do presidente e sua família. 

Há algumas semanas, Bolsonaro disse que, “se aparecer uma terceira vaga, ele entra fortemente”, referindo-se a Aras. O PGR reagiu negativamente à fala, e manifestou “seu desconforto com a veiculação reiterada de seu nome para ocupar uma vaga no Supremo Tribunal Federal”, conforme nota divulgada à imprensa.

Toffoli também fez um alerta à magistratura pela responsabilidade no uso do dinheiro público neste momento de crise econômica e social causado pela pandemia da Covid-19. “É muito importante, neste momento em que a sociedade está pagando um alto preço – e muitas pessoas do setor privado perderam remuneração quando não perderam o emprego – que nós do Poder Judiciário tenhamos prudência e saibamos os nossos limites”, disse o presidente do STF.

“Não é admissível criar benefícios autoconcedidos pelo Judiciário neste momento em que a sociedade passa por uma situação de enorme dificuldade econômica, financeira, fiscal e social e não há meios para que nós consigamos se não manter aquilo que nós recebemos hoje, e nós temos que realmente ter consciência da solidariedade com toda a sociedade brasileira. É um momento que temos que ter solidariedade, não haverá espaço para  recomposição remuneratória, nós temos que ter solidariedade com o povo brasileiro”, concluiu. 


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