Do Supremo

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Teori tinha reservas ao comportamento de Moro como juiz, mostra livro

Livro ‘Os Onze: o STF, seus bastidores e suas crises’ conta que ministro também não escondia reticências quanto a Fux

Ministros do STF em sessão plenária. Foto: Gervásio Baptista/SCO/STF (29/04/2015)
Ministros do STF em sessão plenária. Foto: Gervásio Baptista/SCO/STF (29/04/2015)

O mais novo diálogo divulgado no caso das conversas vazadas entre o ex-juiz Sergio Moro e o procurador da República Deltan Dallagnol traz à tona a relação entre as duas pontas da Lava Jato na magistratura, nos períodos iniciais da operação.

Pelo relato de Dallagnol, divulgado pelo Intercept Brasil nesta quarta, no programa “O é da Coisa”, da Band News FM, o ministro Luiz Fux teria considerado que houvera uma queda de braço entre o ministro Teori Zavascki, primeiro relator da Lava Jato no STF, e o então juiz Sergio Moro.

E que nessa disputa entre um ministro do Supremo e um juiz de primeiro grau, o derrotado teria sido o seu colega. Moro teria reagido ao relato de que Fux se colocava como aliado da operação dizendo a frase que virou meme assim que divulgada: ‘In Fux we trust”.

Mas qual era a relação entre Moro e Teori? Em Os Onze: o STF, seus bastidores e suas crises, livro a ser publicado em julho pela Companhia das Letras, os jornalistas Felipe Recondo, do JOTA, e Luiz Weber, da Folha de S.Paulo, mostram os bastidores do STF e lançam luz sobre a posição do ministro Teori, conhecido pela sua lendária discrição.

O episódio-chave na relação entre os dois magistrados é o aludido nas mensagens divulgadas hoje: a divulgação de uma conversa grampeada entre a então presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula, que acabara de ser nomeado ministro.

A iniciativa foi considerada por Moro como uma forma de blindar o líder petista das investigações em primeira instância. O juiz decidiu divulgar a conversa, embora envolvesse a presidente da República e tivesse sido captada após o prazo autorizado para a interceptação. Teori admoestou Moro, e o juiz deu uma resposta ambígua, na qual não se desculpou, mas expressou respeito pelo ministro.

Em seu livro, Recondo e Weber relatam que Teori tinha reservas e ressalvas ao comportamento de Moro como juiz, não apenas pelo perfil mais midiático, mas pelo que via como excessos jurisdicionais.

A impressão fora reforçada por alertas de auxiliares, que desconfiavam que Moro nem sempre passava as informações completas, quando o ministro as solicitava. Teori reclamava que as instâncias inferiores não corrigiam excessos de Moro, e ele, como ministro do STF, tinha de fazê-lo.

O relator da Lava Jato também não escondia as reticências a Fux, seu colega de Superior Tribunal de Justiça (STJ) e depois de Supremo.


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