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Suspensão da posse de Ramagem na PF fez Alexandre de Moraes ser foco no Twitter

Por causa da decisão, menções a Moraes cresceram e fizeram dele o terceiro ministro mais citado em um mês desde 2019

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Ministro Alexandre de Moraes durante videoconferência / Crédito: Reprodução

A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que barrou a posse do delegado Alexandre Ramagem como diretor-geral da Polícia Federal fez com que ele atingisse um pico de menções de tal ordem que ele foi o terceiro ministro mais citado em um único mês, desde janeiro de 2019, com 720 mil postagens.

Em novembro do ano passado, o julgamento da execução da execução provisória da pena, a consequente soltura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a análise do caso Coaf provocaram um forte movimento de pedidos de impeachment de ministros do STF nas redes bolsonaristas. Na ocasião, o ministro Gilmar Mendes chegou ao recorde de 1,5 milhão de menções em um único mês, enquanto o presidente Dias Toffoli somou 940 mil tuítes.

O interesse pela Corte ao longo do último mês cresceu a partir do dia 19 de abril, quando manifestações em apoio ao presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), pediam o fechamento do STF. Entre 1° de abril e 7 de maio, foram registradas mais de 7,12 milhões de menções ao Supremo no Twitter, de acordo com levantamento da Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getulio Vargas (FGV-DAPP). A DAPP é um centro de pesquisa social aplicada para a compreensão de políticas públicas e os efeitos delas.

No episódio mais crítico, quando foi assunto de 955,7 mil postagens, em 29 de abril, o STF sofreu uma onda de ataques pela suspensão da nomeação doe Ramagem para a diretoria-geral da PF. Os ataques se estenderam nos dias seguintes, até alcançarem um segundo pico de menções em 2 de maio, com 705,3 mil postagens. Na ocasião, as críticas passaram a insistir na suposta inconstitucionalidade do ato, sob o argumento de que a liminar romperia com a independência de cada um dos três poderes.

Moraes, sozinho, teve mais de 366,3 mil postagens nesse dia. O magistrado teve sua intervenção classificada, dentre outras coisas, como parcial, criminosa e obscena por influenciadores bolsonaristas na plataforma. No mês, ele recebeu mais de 720 mil postagens, tendo o ministro Gilmar Mendes recebido o segundo maior volume de menções, com mais de 560 mil. 

Lucas Calil, coordenador de Linguística da FGV DAPP, explica que anteriormente havia uma tendência de que o Congresso Nacional fosse o foco das críticas dos apoiadores do governo, que viam os parlamentares como opositores do presidente. Mas, depois que o STF barrou alguns pontos de Medidas Provisórias e  suspendeu a posse de Ramagem, motivo inclusive de crítica pública ao ministro Alexandre de Moraes por parte de Bolsonaro, as críticas passaram a ser direcionadas com mais intensidade à Corte.

De acordo com o pesquisador, o STF passou a ser citado como um ator que pode frear o bolsonarismo, como por exemplo, ao garantir que os governadores possam tomar medidas de restrição de circulação durante a pandemia, que continuam válidas mesmo que o governo federal edite medida mais branda posterior. 

“Durante muito tempo o poder moderador foi visto  como o Congresso, como se tivesse impedindo Bolsonaro de governar. E isso agora está se voltando ao Supremo, unido ao fato de que ele está em articulação com o chamado centrão do Parlamento. E nós temos claro que a base unificada de apoio ao presidente presente e atuante nas redes é a responsável pelo aumento de publicações”, disse. 

O ministro Luís Roberto Barroso, por exemplo, também teve destaque no Twitter por ter dado uma decisão contrária contrária ao governo, em 2 de maio. Barroso teve 38,6 mil tweets dedicados a ele quando suspendeu, a expulsão de funcionários da Embaixada da Venezuela em Brasília e consulados em Belém, Boa Vista, Manaus, Rio de Janeiro e São Paulo. A retirada compulsória do corpo diplomático venezuelano havia sido determinada por ato do presidente da República e do ministro das Relações Exteriores.

O Twitter tem de 7 a 10 milhões de usuários, dos quais em torno de 50% são assíduos. “O número é baixo, mas o Twitter tem duas particularidades que fazem com que a rede seja a mais analisada. Primeiro, a circularidade. É a principal fonte de disseminação de conteúdo para outras redes”, afirma.  “A imprensa, a política, os influenciadores digitais estão lá. Além disso, é a partir do Twitter que a discussão nas outras redes se organiza. Menor presença absoluta em número de usuários, mas a relevância de identificação do microcosmos é muito pertinente”.


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