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STF transforma Agripino em réu por corrupção, lavagem de dinheiro e documento falso

PGR acusa senador de ter recebido R$ 1,15 milhão de empresário para execução de contrato para inspeção veicular ambiental em Natal

Brasília- Entrevista do Senador José Agripino, sobre a repercussão do caso Nardes(Antônio Cruz/Agência Brasil)

A 2ª Turma do STF aceitou denúncia e transformou em réu o senador José Agripino (DEM-RN) por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e uso de documento falso.

Agripino Maia é acusado pela Procuradoria Geral da República de ter solicitado e recebido vantagens indevidas para assegurar a manutenção e execução de contrato de concessão de serviço público de inspeção veicular ambiental celebrado entre o Consórcio INSPAR e o estado. Segundo a denúncia, os valores recebidos, da ordem de R$ 1,15 milhão, teriam custeado despesas das campanhas eleitorais do senador e da ex-governadora.

O julgamento teve início em 8 de maio, quando o relator do Inquérito, ministro Ricardo Lewandowski, votou pelo recebimento da denúncia em relação ao senador. Nesta terça-feira, o ministro Celso de Mello desempatou o julgamento, votando pela abertura da ação penal.

Lewandowski sustentou que a denúncia indica de forma minuciosa as condutas imputadas a Agripino, e as informações obtidas a partir da colaboração premiada do empresário George Olímpio, responsável pelas doações, trazem elementos suficientes para o acolhimento.

O ministro Gilmar Mendes divergiu e votou contra o recebimento da denúncia em relação ao senador. Na sua avaliação, não há tipicidade formal do delito de corrupção passiva, pois Agripino Maia é parlamentar federal, e o ato apontado é de competência do Executivo do estado.

“A possível ascendência de parlamentar federal sobre o Executivo estadual decorreria não da função pública, mas da influência nas decisões partidárias”, assinalou. “Portanto, aparentemente, no caso, a função pública de senador é meramente acidental ao curso causal desenvolvido”. Gilmar foi seguido por Dias Toffoli.

A ex-governadora do Rio Grande do Norte Rosalba Ciarlini, atual prefeita de Mossoró, também foi denunciada por supostamente ter ajudado o senador a obter vantagens indevidas. A Segunda Turma, porém, rejeitou a acusação, por considerar que não havia indícios contra ela.

Outro lado

“A decisão da Segunda Turma do Supremo, por 3 votos a 2, mostra a fragilidade da denúncia. Recebo-a com serenidade. Estou seguro de que o prosseguimento da ação mostrará não serem verdadeiros os fatos nela descritos.

Senador José Agripino
(DEM-RN)”


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