Do Supremo

Funções públicas

STF julga em outubro se OAB deve ser submetida à fiscalização do TCU

Ministro Marco Aurélio, relator do caso, pautou o recurso para ser julgado no plenário virtual entre 9 e 19 de outubro

Crédito: Unsplash

O ministro Marco Aurélio, do Supremo Tribunal Federal (STF), pautou, para o plenário virtual, o caso que discute a fiscalização da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) pelo Tribunal de Contas da União (TCU). O plenário vai julgar se a entidade deve ser submetida ao controle da Corte de Contas entre os dias 9 e 19 de outubro.

O tema é discutido no RE 1.182.189, com repercussão geral reconhecida, no qual o Ministério Público Federal (MPF) busca reformar acórdão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) que determinou que a OAB não deve prestar contas ao órgão. O recurso chegou ao Supremo em dezembro de 2018 e teve repercussão geral reconhecida em junho de 2019. 

Na origem, o MPF da Bahia ajuizou ação civil pública contra a União, o Conselho Seccional da OAB na Bahia e a Caixa de Assistência dos Advogados na Bahia (CAA-BA), para que a gestão econômico-financeira da entidade de classe fosse submetida à fiscalização pelo TCU. O pedido foi julgado improcedente na primeira e segunda instâncias.

Em junho deste ano, o procurador-geral da República, Augusto Aras, defendeu, ao STF, que , apesar de não fazer parte da administração pública, OAB exerce funções públicas. Assim, para ele, qualquer entidade que lida com “valores da coletividade está subordinada àquela fiscalização, de forma a possibilitar a verificação da conduta do agente, se pautada em padrões éticos, de retidão, em atitudes combativas à improbidade e aos atos lesivos ao erário”.

Um dos precedentes citados é a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 3.026, na qual o plenário decidiu que a OAB não é uma autarquia e, por isso, pode contratar sem concurso público. Mas, na ocasião, os ministros entenderam que a OAB é uma organização pública que “desempenha papel institucional com forte caráter estatal e público”.

Em junho de 2019, a ministra Rosa Weber concedeu liminar para suspender os efeitos de decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) que estabelecia a obrigatoriedade de a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) prestar contas e submeter-se à fiscalização da Corte de Contas. Em análise preliminar do caso, a relatora concluiu que a determinação do TCU contraria “linhas basilares de entendimento jurisprudencial” do STF.

A decisão foi proferida no Mandado de Segurança (MS) 36376, impetrado pelo Conselho Federal da OAB contra acórdão do TCU. No caso, o Conselho Federal também menciona a ADI 3.026. Mas, para a entidade, o TCU teria desrespeito aquele julgado, no qual o Supremo, ao entender que a OAB pode contratar sem concurso público, atribuiu à entidade natureza jurídica diferenciada em razão do reconhecimento de sua autonomia e de sua finalidade institucional.


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