Do Supremo

Novo depoimento

Relatório da PF aponta divergência com delator sobre repasses a Paulinho da Força

Relatório mostra 4 repasses que totalizaram R$ 1,8 mi, mas ex-presidente da Odebrecht Ambiental falou em R$ 1 mi

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A Polícia Federal apontou divergência entre a análise de dados e a delação do ex-presidente da Odebrecht Ambiental Fernando Reis sobre repasses ao deputado Paulo Pereira da Silva (SD-SP).

Relatório técnico elaborado pela PF identificou quatro entregas que totalizaram R$1,8 milhão que teriam Paulinho da Força como destinatário. Em sua delação, Reis citou dois pagamentos que somavam R$ 1 milhão.

As suspeitas levantadas pelo peritos surgiram após a verificação de um HD e notebooks da Odebrecht. Na avaliação, foram identificadas conversas no Skype no qual um interlocutor solicitou entregas para uma transportadora de valores no endereço da Força Sindical com as senhas “ford”, “volkswagen” e “chevrolet”. Cada entrega teria sido de R$ 500 mil – sendo que a  quarta foi repassada com a senha “pandeiro” de R$ 300 mil -, entre agosto a setembro de 2014.

Os valores teriam sido repassados para  Marcelo Cavancanti, que foi chefe de gabinete do deputado e chegou a ficar preso na operação Registro Espúrio sobre fraudes no Ministério do Trabalho envolvendo registros sindicais. Em seu depoimento, Cavalcanti ficou em silêncio.

O delegado Leandro Alves Ribeiro pediu ao STF que Reis preste novo depoimento. “Considerando que o colaborador Fernando Luiz Ayres da Cunha Santos Reis relata terem sido realizados apenas dois pagamentos de valores para o investigado, mas o Relatorio de Análise de Polícia Judiciária nº 08/2019 aponta para a realização de quatro entregas de valores, intime-se o colaborador para nova oitiva na Sede da Polícia Federal em Brasília”, afirmou.

A PF também deve acionar o doleiro Álvaro Novis, outro delator da Lava Jato, para prestar informações no caso, uma vez que ele teria operacionalizado as entregas.

Em sua delação, Reis contou aos investigadores que autorizou pagamento de R$ 1 milhão a Paulinho da Força. A verba seria liberada por meio de caixa dois.

Segundo Reis, pagamento foi feito pelo Setor de Operações Estruturadas, o departamento de propina e tinha como codinome “Forte”. O objetivo da proposta, segundo o delator, seria para ajudar a empresa em episódios de greves sindicais.

Paulo Pereira da Silva tem afirmado que a empresa doou para o Solidariedade e que parte da verba foi destinada para sua campanha e foi devidamente registrada na Justiça Eleitoral.

 


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