Do Supremo

Sucessão na PGR

Presidente da ANPR quer discutir lista tríplice com Bolsonaro e Moro

Fábio Nóbrega desconversou sobre opção de Dodge de não participar da disputa da categoria por recondução

Bolsonaro; LISTA TRÍPLICE
Jair Bolsonaro / Crédito: Foto: Marcos Corrêa/PR

O novo presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), Fábio Nóbrega, disse nesta quinta-feira (16/05) que pretende procurar o presidente Jair Bolsonaro na semana que vem para defender que seja respeita a lista tríplice fechada pela categoria para a escolha do novo procurador-geral da República. O presidente já deu indícios de que não pretende necessariamente seguir a lista.

“Estamos com a ajuda da nossa assessoria tentando fazer esses agendamentos a partir da próxima semana. Claro que depende de agenda em comum, mas a ideia é que a gente possa fazer esse primeiro contato”, disse o presidente da ANPR. Nóbrega também vai procurar o ministro da Justiça Sérgio Moro para tratar sobre o tema.

Para Nóbrega, não há dúvidas de que Bolsonaro vai seguir a lista, e desconversou quando questionado sobre a reação da ANPR caso o presidente escolha alguém de fora da lista. “Nós temos toda convicção que a lista será acolhida. Nós vamos oferecer a ele os três melhores nomes que a nossa instituição tem no atual momento. Certamente esse é um debate futuro que será feito pela classe no momento oportuno”, falou.

Desde 2003, a lista da ANPR tem sido seguida pelos presidentes da República. Em 2017, no entanto, o ex-presidente Michel Temer escolheu Raquel Dodge como PGR, que foi a segunda mais votada pela categoria. Apesar de ser um costume, não há nenhuma obrigação de respeitar a lista.

“Hoje a gente está contando, eu não tenho dúvida nenhuma, que ele vai ter três nomes excepcionais, equilibrados, e vai fazer a escolha dele. A gente tem certeza que ele vai ter três nomes de excelente qualidade. A gente defende que essa decisão seja feita a partir desses três nomes, que a nosso sentir já dão uma liberdade enorme de escolha”, disse. Para ele, a lista tríplice tem “uma história de independência, democracia interna e participação externa que a gente precisa contar”, e as conversas com Bolsonaro serão baseadas nessa história.

O prazo para inscrições terminou na última quarta-feira (15/05), e foram dez candidaturas, sendo seis de subprocuradores da República e quatro de procuradores regionais. A atual procuradora, Raquel Dodge, deixa o cargo em setembro, mas pode ser reconduzida.

Dodge, entretanto, não se candidatou na ANPR. Nóbrega prefere não especular motivos para a não candidatura. “É uma opção dela, a gente não sabe quais são as razões claras, e isso ocorreu uma vez. O doutor Claudio Fontelles não pleiteou a recondução, certamente as razões pessoais serão levadas por ela à análise de todos”, disse.

A partir de segunda-feira, começam os debates com os candidatos. O primeiro deles ocorrerá em Belém, capital paraense. Os próximos debates ocorrem no Recife, em São Paulo, no Rio de Janeiro, em Porto Alegre e em Brasília, e vão se basear em três eixos. O primeiro deles é sobre a atividade-fim do Ministério Público, como defesa do meio ambiente, do consumidor e do combate à corrupção. Os outros eixos são a administração interna do Ministério Público e questões regionais.

A eleição para escolha da lista tríplice ocorre no dia 18 de junho, e Raquel Dodge deixa o cargo em setembro.

Inscritos:

Subprocuradores-gerais da República: Luiza Frischeisen, Mario Bonsaglia, Bonifácio Andrada, Carlos Fonseca da Silva, Níveo de Freitas, Paulo Eduardo Bueno.

Procuradores Regionais da República: Lauro Cardoso, Blal Dalloul, Vladimir Aras e José Robalinho Cavalcanti.


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