Do Supremo

STF

PGR: líderes do PP ameaçaram de morte e prometeram casa e cargo a testemunha

Segundo denúncia, Ciro Nogueira, Eduardo da Fonte e ex-deputado tentaram obstruir investigações da Lava Jato

Foto: Partido Progressista PI (Arquivo)

Ao denunciar ao Supremo Tribunal Federal (STF) o senador e presidente do PP Ciro Nogueira, o ex-líder do partido na Câmara Eduardo da Fonte (PE), e o ex-deputado Márcio Junqueira por suposta obstrução de Justiça, a Procuradoria Geral da República afirmou que eles atuaram para intimidar uma testemunha da Operação Lava Jato e forçá-la a trocar seu depoimento.

De acordo com a acusação do Ministério Público, o grupo além de ameaçar de morte a testemunha,  deram-lhe dinheiro, pagaram despesas pessoais e prometeram cargos públicos e uma casa na tentativa de avançar com as investigações da Lava Jato.

A ideia, diz o MPF, era que José Expedido Rodrigues Almeida ex-secretário parlamentar e motorista dos políticos por quase 10 anos desmentisse depoimentos que prestou em 2016 à Polícia Federal nos inquéritos sobre a organização criminosa integrada por membros do PP no Congresso. As ações começaram em agosto de 2017 e duraram até março de 2018.

“A existência de uma testemunha-chave contra a organização criminosa, José Rodrigues de Almeida, que tem sido ameaçada de morte e recebido dinheiro e ordens para embaraçar investigações sobre crimes atribuídos a Ciro Nogueira, Eduardo da Fonte e à organização criminosa”, diz MPF.

Rodrigues de Almeida é considerado pelo MPF peça-chave para esclarecimentos de supostos crimes envolvendo o grupo do PP, sendo testemunha de ao menos três inquéritos e quatro ações cautelares.

De acordo com as investigações Rodrigues Almeida ingressou no Programa de Proteção do Ministério da Justiça em 2016, mas deixou no ano seguinte.  Em abril, a Polícia Federal cumpriu mandados de busca nos gabinetes e nos apartamentos funcionais de Ciro Nogueira e de Eduardo da Fonte, em Brasília. Na chamada ação controlada da PF,  Márcio Junqueira foi flagrado entregando R$ 6 mil ao ex-assessor de Ciro Nogueira.  Na época, a defesa de Márcio Junqueira diz que se tratava de uma ajuda financeira pessoal.

Outro lado

Em nota, a defesa do Senador Ciro Nogueira soube agora, pela imprensa, que a PGR ofereceu denúncia pelo delito de obstrução de justiça contra o Senador.

Ainda perplexa, mesmo sem ter tido acesso à denúncia, a defesa quer registrar que acompanhou o inquérito e que não existe, sequer en passant, qualquer indício que justifique esta acusação tão grave.

O Senador teve seu telefone interceptado e a própria Polícia Federal, em seu relatório de análise, registrou que não foi encontrada nenhuma conversa que pudesse ser tida como suspeita. Na busca e apreensão realizada tanto na residência do Senador, quanto em seu gabinete no Senado Federal, absolutamente não foi encontrado nada que merecesse qualquer preocupação.

A investigação, antes de produzir qualquer indício para sustentar uma denúncia pelo crime de obstrução, demonstrou a não participação do Senador em qualquer tentativa embaraço à investigação.

É de todo estranhável esta nova denúncia um dia antes do Supremo julgar o recebimento de denúncia em outro inquérito contra o Senador, onde a defesa tem a firme convicção de que a acusação não será recebida, pois a inocência do Senador foi amplamente comprovada durante a investigação.

Ao reiterar a plena confiança no Supremo Tribunal, a defesa não pode deixar de registrar que este momento punitivo tem que ser enfrentado com o pleno respeito aos ditames constitucionais da presunção de inocência, da ampla defesa e do devido processo legal.


Faça o cadastro gratuito e leia até 10 matérias por mês. Faça uma assinatura e tenha acesso ilimitado agora

Cadastro Gratuito

Cadastre-se e leia 10 matérias/mês de graça e receba conteúdo especializado

Cadastro Gratuito