Do Supremo

Redes sociais

Pesquisa da FGV DAPP mostra tamanho do engajamento virtual sobre o STF

JOTA vai publicar, mês a mês, levantamento sobre menções nas redes à Corte e aos ministros

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, durante as eleições / Crédito: José Cruz/Agência Brasil

No ano passado, poucos dias antes da Copa do Mundo da Rússia, viralizou nas redes sociais um vídeo do BuzzFeed em que um camelô escalava os onze ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Na gravação, o trabalhador, inclusive, mencionava o título de decano de Celso de Mello. Quanto à seleção brasileira, que em breve entraria em campo na competição mais importante do mundo futebolístico, ele só se lembrava de Neymar e de outros quatro jogadores.

O STF, os ministros e suas decisões estão na boca e também nos dedos e nas telas do povo. Na última semana de setembro, por exemplo, as menções à Corte passaram de 1,6 milhão no Twitter, alcançando o maior pico desde setembro de 2018. O ministro Dias Toffoli, presidente da Corte, é o que recebeu mais citações, totalizando 3,4 milhões em todo o período medido. Na série histórica, o tribunal teve 24,4 milhões de citações. Todos esses dados são fruto de um levantamento da Diretoria de Análises de Políticas Públicas (DAPP), da Fundação Getúlio Vargas.

Todos os meses, o JOTA irá divulgar os dados colhidos e analisados pela DAPP sobre as menções ao STF, aos 11 ministros e às principais pautas que mobilizam o debate sobre Justiça no Twitter, Facebook e YouTube. A DAPP é um centro de pesquisa social aplicada para a compreensão de políticas públicas e os efeitos delas. 

No fim de setembro, quando um houve um pico de menções à Corte no Twitter, os temas que mais mobilizaram os comentaristas foram a Lava Jato, as declarações do ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot de que levou uma arma ao STF com a intenção de atirar na cara de Gilmar Mendes e depois se matar e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Já em abril, os olhos se voltaram para dois casos de censura. No dia 15 daquele mês, o ministro Alexandre de Moraes determinou a retirada da matéria “o Amigo do amigo do meu pai”, da Crusóe, que fazia referência ao presidente da Corte, Dias Toffoli. Neste dia, Toffoli foi citado 391 mil vezes no Twitter, enquanto Moraes foi citado em 224 mil tuítes.

Três dias depois, em outro processo, Toffoli revogou a decisão do ministro Luiz Fux que impedia Lula de conceder entrevistas aos jornalistas Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, e Florestan Fernandes, do El País. A decisão foi divulgada no mesmo dia em que o ministro Alexandre de Moraes revogou a própria decisão que determinou a retirada do ar de reportagem da revista Crusoé e do site O Antagonista que menciona o presidente da corte citando a delação de Marcelo Odebrecht. 

Do fim de julho ao início de agosto, os temas que mais provocaram engajamento sobre o Supremo no Twitter foram: Gilmar Mendes e as reportagens da Vaza Jato, Toffoli e o caso do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) — sobre quando o presidente interrompeu inquéritos embasados em relatórios de inteligência financeira que não tivessem autorização judicial –, Lula, o ministro da Justiça Sergio Moro e pedidos de impeachment de Mendes e Toffoli. 

Apenas na primeira semana de agosto, Gilmar Mendes teve 315,6 mil menções. Naquela ocasião, reportagens revelaram que procuradores da Lava Jato promoveram uma ofensiva contra o ministro e chegaram a tramar o impeachment dele.

No final de dezembro, o foco dos tuítes foi o ministro Marco Aurélio, com 357 mil menções. Isso porque, com uma decisão monocrática dada no último dia antes do recesso Judiciário do ano passado, ele suspendeu a execução antecipada da pena e determinou a soltura de todos aqueles que estivessem presos nessa situação. A liminar foi derrubada por Toffoli logo depois, no mesmo dia. O ministro é o relator das ações que vão decidir o mérito desta questão e que serão analisadas pelo plenário nesta semana. 

Atores políticos

“O que se pode depreender dos dados é que existem vários picos de interesse muito específicos sobre o Supremo e seus ministros, mas existe um debate contínuo e constante sobre a Corte que independe desses momentos”, analisa Lucas Calil, coordenador de Linguística da FGV DAPP. É notório que o Supremo está a cada ano mais central no debate público. Calil exemplifica dizendo que há 10 anos parcela reduzida da população saberia citar nomes dos ministros, quadro que tem mudado — como demonstra o camelô que escalou os onze ministros. 

Rotineiramente as pessoas acompanham julgamentos e decisões tomadas na Corte e esses picos de interesse produzem efeitos capazes de ampliar e manter a atenção sobre o tribunal. Esses pontos de acompanhamento mais próximo costumam ser a respeito dos temas eminentemente políticos e que dominam a atenção em outros setores do poder. Segundo os pesquisadores, há muita sobreposição entre atores e assuntos. Mesmo quando o STF não é o foco da pauta dos jornais, diariamente há um volume nas redes sempre constante de referências à Corte e aos ministros.

Ou seja, assuntos que envolvem o ex-presidente Lula, a operação Lava Jato, os procuradores da força-tarefa, o ex-titular da 13ª Vara Sergio Moro também provocam um aumento de atenção sobre a Corte e os ministros.

Outro ponto de destaque é que, internamente, o grupo de ministros tido como garantista é aquele que concentra mais entusiasmo — exatamente porque eles têm posições que vão de encontro com uma posição mais conservadora que tem dominado o debate atualmente, conforme avaliação do DAPP.

Nesse sentido, Gilmar Mendes é um dos mais citados, tido como ator político de mais peso, mais ainda que outros da política parlamentar ou do Executivo. Toffoli, como presidente, é o que mais recebe atenção. Além deles, Ricardo Lewandowski e Marco Aurélio são presenças constantes em tuítes. 

No YouTube, no Facebook e no Twitter, os temas muitas vezes se repetem. Uma texto que chamou de “golpe na Lava Jato” o protesto de um grupo de procuradores que entregou o cargo em protesto contra Raquel Dodge teve mais que 264 mil interações, incluindo reações, compartilhamentos, comentários. Textos sobre as relações entre a operação e os ministros do Supremo estão entre os de maior engajamento. Dentro dessa temática, casos específicos, como a mobilização parlamentar em torno da chamada CPI da Lava Toga, e envolvendo outros atores, como os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP) surgem vez ou outra. 

YouTube

Em abril deste ano, os vídeos publicados no YouTube que envolveram o STF tiveram um pico de mais de 33 milhões de visualizações. O vídeo de maior audiência é um do comediante Fabio Rabin que fala sobre a condenação de Danilo Gentilli a seis meses de prisão por injúria. O programa da Jovem Pan ‘Os Pingos nos Is’ reúne boa parte das visualizações — e alavanca os números ao longo dos últimos 12 meses.

Vídeos sobre o STF no YouTube

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