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Manifestações contra STF e Gilmar Mendes levam a pico de engajamento virtual

Corte foi mencionada mais de 11 milhões de vezes no Twitter. Gilmar Mendes teve 5 milhões de menções

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Ministro Gilmar Mendes. Crédito: Valter Campanato/Agência Brasil

Se em outubro o início do julgamento sobre a prisão após a condenação em segunda instância foi o que mais chamou a atenção das pessoas nas redes sociais em relação ao Supremo Tribunal Federal (STF), em novembro, eventos externos à Corte mobilizaram mais as publicações — e mais que dobraram a média de engajamento virtual.

Um mês de movimentação relevante em relação ao tribunal tem cerca de 1,6 milhão menções no Twitter. Em novembro, foram mais de 11 milhões de menções, com picos expressivos em dois dias.

Protestos contra o STF e ministros alavancaram as postagens. De novo, o ministro Gilmar Mendes foi o alvo preferencial. O dia com com maior volume foi 17 de novembro, um domingo, exatamente aquele em que manifestantes foram às ruas pedir o impeachment de Mendes. O movimento resultou em um pico de quase 1,5 milhão de tuítes sobre o Supremo e 1,1 milhão sobre o ministro. No mês, Gilmar Mendes foi citado mais de 5 milhões de vezes. 

Vestidos de verde e amarelo e carregando bandeiras do Brasil, manifestantes se reuniram em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, atendendo a chamados de grupos apoiadores do presidente da República Jair Bolsonaro. Gritos como “Fora Gilmar!”, “Mito” e “Moro presente” foram entoados, além de pedidos de retorno do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à prisão.

No levantamento anterior, por exemplo, o ápice de menções foi em 24 de outubro, dia em que a ministra Rosa Weber votou contra a execução provisória de pena. Naquele momento, 426,5 mil tuítes trataram do tema. No dia 29 de outubro, o segundo com mais interesse dos usuários, foram cerca de 272 mil citações.

Todos os meses, o JOTA irá divulgar os dados colhidos e analisados pela Diretoria de Análises de Políticas Públicas (DAPP), da Fundação Getúlio Vargas (FGV), sobre as menções ao STF, aos 11 ministros e às principais pautas que mobilizam o debate sobre Justiça no Twitter, Facebook e YouTube. A DAPP é um centro de pesquisa social aplicada para a compreensão de políticas públicas e os efeitos delas. 

A reportagem inaugural da parceria apresentou o levantamento de um ano de dados, de setembro de 2018 a setembro de 2019. O maior pico do período se deu na última semana de setembro, quando as menções à Corte passaram de 1,6 milhão no Twitter. A título de comparação, no pico de novembro, foram 1,5 milhão de tuítes sobre o Supremo somente em um dia.

Lucas Calil, coordenador de Linguística da FGV DAPP, explica que a tendência de nacionalização dos nomes dos ministros se consolidou durante os anos de monitoramento. “Há alguns anos as pessoas não falavam tanto ou não conheciam Cezar Peluso, Eros Grau. Hoje, elas sabem quem é Luiz Fux e Rosa Weber”, apontou. 

A quantidade de publicações referentes ao Supremo em novembro chamou a atenção dos pesquisadores. “Foi surpreendente, mesmo para quem está acostumado a lidar com esses números. A tendência é de alta, mas a exacerbação de volume em relação ao STF e aos ministros em agendas específicas impressionou”, disse Calil. O DAPP monitora o debate público há quase uma década.

De acordo com ele, como em quase todos os dias há pautas de destaque em análise no STF ou decisões de impacto são tomadas pelos ministros, eles são muito mencionados de forma razoavelmente estável. Em novembro, a saída de Lula da carceragem da Polícia Federal em Curitiba em decorrência de decisão da Corte provocou uma reação digital de perfis pró-governo e da base de apoio da direita contra Gilmar e o presidente Dias Toffoli.

“Tivemos um engajamento digital, não proporcionado pela pauta A ou B. Os dois principais picos são movimentos digitais de impulsionamento em relação a eles. E a imagem geral de todos os ministros é mais negativa que positiva”, explicou Lucas Calil.

Dentre as publicações, houve, também, circulação de fake news alavancando o engajamento. Fotos de protestos contra a ex-presidente Dilma Rousseff foram replicadas no Twitter e Facebook, como se fossem do ato contra o STF. “Normalmente as redes respondem a pautas que são externas a elas. Desta vez, foi alimentado por elas próprias. Não foi despertado pelo ministro ter dito x ou y”, diz.

A hashtag #ImpeachmentGilmarMendes foi o assunto mais comentado no Twitter em 12 de novembro, ultrapassando também a cifra do milhão de tuítes. O STF recebeu 1.779.500 publicações. Já Gilmar Mendes, 1.208.400. 

Além dos dois, da Corte e do ministro, o presidente, que é também quem recebe atenção justamente pelo cargo, recebeu, para se ter uma ideia, no dia em que foi mais citado, 204.600 menções.

No dia 14 de novembro, foi tornado público que Toffoli determinou que o Banco Central enviasse a ele cópia de todos os relatórios de inteligência financeira (RIFs) produzidos pelo antigo Coaf nos últimos três anos. Com a notícia, de que o presidente da Corte obteve, assim, a possibilidade de acessar dados sigilosos de cerca de 600 mil pessoas — 412,5 mil físicas e 186,2 mil jurídicas —, o nome de Toffoli teve um pico de 204.600 menções no Twitter.

Foram quase 27 milhões de interações totais no Facebook, contra 15 milhões do mês anterior. Houve também um aumento de vídeos sobre o STF no YouTube, bem como de visualizações. Na plataforma de vídeos, foram publicados 1.800 em outubro. Já em novembro, foram postados 2.100 vídeos. Segundo avaliação do DAPP, os números são diretamente vinculados à saída de Lula e a reações em torno deste fato.


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