Do Supremo

Jair Bolsonaro

Investigação sobre caso Marielle pode ir para o STF por citação a Jair Bolsonaro

Élcio Queiroz, um dos suspeitos, disse a porteiro que iria para casa do presidente, mas foi para casa de Ronnie Lessa

Presidente da República Jair Bolsonaro / Crédito: Marcos Corrêa/PR

Durante as apurações sobre a execução da vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco, a Polícia Civil do Rio de Janeiro apurou que, no dia do crime, um dos suspeitos, Élcio Queiroz, disse que iria à casa 58 do Condomínio Vivendas da Barra, de propriedade do presidente da República Jair Bolsonaro (PSL), quando na verdade foi para a casa 66, onde morava Ronie Lessa, PM reformado preso pela suspeita de ser o autor dos disparos. A informação foi relevada pelo Jornal Nacional, da Rede Globo.

Com a citação, representantes do Ministério Público do Rio de Janeiro acionaram o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, para saber se poderiam dar continuidade às investigações. Ainda de acordo com o JN, até o momento, Toffoli não respondeu.

Na data do homicídio, em 14 março de 2018, um dos envolvidos no caso, o ex-PM Elcio Vieira de Queiroz, que estaria dirigindo o carro que interceptou o veículo que estava Marielle, teria anunciado na portaria do condomínio que iria visitar Bolsonaro. Ele, no entanto, seguiu até a casa do PM reformado. O porteiro diz que teria ligado uma segunda vez para o endereço anunciado e tido a confirmação, do “Seu Jair”, de que sabia que Elcio estaria indo para a outra casa.

Os registros da Câmara dos Deputados, no entanto, mostram que o então deputado federal estava na Casa Legislativa, onde participou de duas votações. Bolsonaro também publicou vídeos nas redes sociais de dentro das dependências do Congresso Nacional.

A polícia agora irá tentar recuperar as gravações do interfone da portaria para tentar identificar de quem é a voz que o porteiro atribuiu a Jair Bolsonaro.

Leia nota de resposta da Globo após live de Bolsonaro nas redes:

“A Globo não fez patifaria nem canalhice. Fez, como sempre, jornalismo com seriedade e responsabilidade. Revelou a existência do depoimento do porteiro e das afirmações que ele fez. Mas ressaltou, com ênfase e por apuração própria, que as informações do porteiro se chocavam com um fato: a presença do então deputado Jair Bolsonaro em Brasília, naquele dia, com dois registros na lista de presença em votações. O depoimento do porteiro, com ou sem contradição, é importante, porque diz respeito a um fato que ocorreu com um dos principais acusados, no dia do crime.

Além disso, a mera citação do nome do presidente leva o Supremo Tribunal Federal a analisar a situação. A Globo lamenta que o presidente revele não conhecer a missão do jornalismo de qualidade e use termos injustos para insultar aqueles que não fazem outra coisa senão informar com precisão o público brasileiro. Sobre a afirmação de que, em 2022, não perseguirá a Globo, mas só renovará a sua concessão se o processo estiver, nas palavras dele, enxuto, a Globo afirma que não poderia esperar dele outra atitude. Há 54 anos, a emissora jamais deixou de cumprir as suas obrigações”.


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