Do Supremo

Reação

Apontar vazamento da força-tarefa sobre Toffoli é desviar foco do conteúdo, diz MPF

Procuradores dizem que só tiveram acesso ao documento de Odebrecht após reportagem e que tentam atingir credibilidade

A força-tarefa da Lava Jato divulgou nota nesta quinta-feira (18/4) afirmando que a tentativa de responsabilizar os procuradores por suposto vazamento de implicação feita por Marcelo Odebrecht ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, representa um esforço para atacar a credibilidade da operação e “desviar o foco do conteúdo dos fatos noticiados”.

O texto foi escrito no mesmo dia em que foi publicada entrevista de Toffoli ao jornal Valor Econômico apontando que foi orquestrada uma narrativa  “inverídica” para constranger e emparedar o Supremo às vésperas de a Corte tomar uma decisão sobre a prisão após o julgamento em segunda instância. “É ofensa à instituição à medida que isso tudo foi algo orquestrado para sair às vésperas do julgamento em segunda instância. De tal sorte que isso tem um nome: obstrução de administração da Justiça.”

O ministro não citou os procuradores, mas o MPF fez uma intensa pressão sobre o julgamento, que acabou adiado, pela manutenção da execução provisória da pena.

Na nota, os procuradores afirmam que não só tiveram acesso ao documento de Odebrecht explicando o e-mail após a publicação da revista digital Crusoé, que acabou retirada do ar por decisão do ministro Alexandre de Moraes, que atendeu pedido de investigação de Toffoli dentro do inquérito que apura ataques ao STF.

“Diante do fato de que o documento foi produzido por particular e que a ele potencialmente tiveram acesso várias pessoas, a acusação – infundada, como provado – ignora a participação de outros atores no inquérito. Nesse contexto, a acusação direcionada aos procuradores levanta suspeita sobre a isenção de quem a realiza e sobre a real intenção de quem os persegue”.

Na semana passada, a reportagem mostrou que o empresário Marcelo Odebrecht encaminhou à Polícia Federal esclarecimentos sobre codinomes citados em e-mails apreendidos em seu computador. O delator da Lava Jato afirma que o “amigo do amigo do meu pai” trata de Toffoli.

O e-mail é de julho de 2007 quando o ministro ocupava o cargo de Advogado-Geral da União (AGU) no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Leia a íntegra da nota:
Diante de especulações que surgiram no noticiário nos últimos dias, levantando suspeitas na tentativa de vincular supostos vazamentos a procuradores que atuam na operação Lava Jato do Ministério Público Federal no Paraná (MPF/PR), a força-tarefa vem a público esclarecer que:

1. Certidão com informações extraídas do sistema eproc pela 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba, disponível aqui, demonstra que os procuradores da força-tarefa Lava Jato do Ministério Público Federal no Paraná (MPF/PR) só acessaram os autos em que foi juntado o documento de que trata a matéria da Revista Crusoé intitulada “O amigo do amigo de meu pai” às 22:04h de 11/04/2019, portanto, após a publicação da notícia sobre o assunto no site da revista e no site OAntagonista. A referida matéria estava disponível, pelo menos, desde às 20:01h de 11/04/2019.

2. Portanto, a tentativa leviana de vincular o vazamento a procuradores da FT é apenas mais um esforço para atacar a credibilidade da força-tarefa e da operação, assim como de desviar o foco do conteúdo dos fatos noticiados.

3. Diante do fato de que o documento foi produzido por particular e que a ele potencialmente tiveram acesso várias pessoas, a acusação – infundada, como provado – ignora a participação de outros atores no inquérito. Nesse contexto, a acusação direcionada aos procuradores levanta suspeita sobre a isenção de quem a realiza e sobre a real intenção de quem os persegue.


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