O crime e o homem

Advocacia

Sobre canalhas, peculatos, folgados e ditadores

Considerações sobre o caso Mariz

Imagem: Advogado Antônio Cláudio Mariz de Oliveira. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Há muitos meses não falo com Mariz de Oliveira. Isso não importa para desligar meu coração e não sentir a pontada da podridão que lhe abateu – a ele, Ângela, Sérgio, Paola, Renata, Fábio e todos os outros – nessa sexta-feira 13 para a advocacia brasileira.

Sim, o novo Malleus Maleficarum, compilado pelas bruxarias curitibanas e proposto contra a corrupção foi posto em prática na doce, honesta e límpida cidade de Brasília. E feiticeiros, temos de reagir com poções de verdade. Ou que venham as fogueiras, levaremos carne e cerveja!

Um aviso: você advogado que ler isso, se com aquele jeitinho empresarial de pensar “nossa, que pesado” ou “ele vai perder clientes” ou “precisamos ter cuidado com os juízes, pois fazemos acordos de não persecução”… Bom, para vocês a frase épica de Al Pacino em “Perfume de Mulher”:

-‘FUCK YOU TOO!’

Se vosso norte é o departamento jurídico de algo, que fique com todos eles e com os compliances que vos completam!

Mais do que nunca, dependemos dos Tribunais! Deve ser o último teste no termostato do nosso momento político que vai avizinhando medos, indecisões e cânceres ao Direito.

Pois caso contrário, se essa excrecência não for limpa por uma decisão firme, forte e absolutamente arrasadora do Tribunal competente, chega!

Nossos exércitos (nem que de poucos homens) estão à disposição tua, Mariz.

O 4º Regimento de nossa Cavalaria estará disposto ao Sul para explodir as casernas do PECULATO sistêmico praticado por toda a sorte de Juízes que recebem ilegais e por muito tempo, maquilados vencimentos acima do teto, mesmo sabendo ser isso errado.

O 2ª Exército deverá se posicionar com “timers” para explorar, passo por passo, qual é a realidade brasileira não em números anabolizados por assessores de gabinete e seus copias e cola; mas a quantidade de esforço, trabalho e lida de cada um dos juízes e promotores do país.

Sim senhores, deveremos provar que os Fóruns se abrem apenas às 14h para a grande maioria desses personagens celestiais (tadinhos dos muitos que trabalham tanto e até pelos outros) e vamos provar que não são os recursos, mas sim os marajás folgados do funcionalismo que emperram a máquina judiciária brasileira!

Nossos paraquedistas – de botas vermelhas – saltarão contra cada discurso que diz sobre a “voz das ruas” para lembrar aos Juízes nomeados nos jantares de Brasília que não, que um Tribunal não deve satisfações à opinião pública, pois ela é que justifica a existência dos Tribunais graças às barbáries cometidas em praça pública e que hoje vão sendo ainda praticadas e instigadas.

E que a historieta de não existir princípio constitucional acima de outros é uma fantasia teórica, importada de livros que falam sobre povos e culturas séculos à frente da nossa. E que sim, somos todos nós cidadãos – e nossos direitos contra o Estado – maiores que qualquer vontade-dever-interesse do Estado.

Nossas forças especiais estarão prontas para fazer subir nossos sigilos e contar de Delegados, Promotores e Juízes tudo o que sabemos sobre eles. Quem arrisca ver esse esquadrão agir com esse propósito? (Mas não pensem ser tão grave: muitos deles também foram vítimas de políticos institucionais e suas perseguições).

Somos parede: tirado um tijolo nosso, não temos mais porque nos sustentar em ética e honra e menos ainda, sustentar com o aplauso do silêncio sobre os atacantes que nos vilipendiam.

Paralisaremos tudo se o caso for. E deixaremos a explosão contida nas notas e desagravos. Somos mais perigosos do que isso!

E mais poderosos. Temos a palavra, nossos confessionários e livros. Nem se fale da tribuna, quando, onde e porque somos sagrados mesmo que alguns inominados, de tempos em tempos, ousem quer impor-nos o silêncio.

Somos tudo isso por sabermos, silenciarmos em público, sofrermos com as agruras da cadeia e das tantas pessoas presas que depois são inocentadas em nosso país, sem merecer nada do Estado se não desculpas que “o” exime de responsabilidades.

E sim, também somos os acusadores ferrenhos que recebem semanalmente os familiares de vítimas mortas, estupradas, roubadas que são atendidas por burocratas do Estado e se sentem ainda mais vítimas.

Se necessário, paralisaremos a Justiça, desmarcaremos audiências, pularemos atos em Delegacias, marcharemos em silêncio em direção a todos os lados para fazê-los lembrar: não queiram ouvir o que sabemos em nossos confessionários!

E nas nossas frentes, silêncio, pois sabemos quem são vocês.

Foi importante cada manifestação, sem dúvida. E todas lindas. Um eventual desagravo, lindo será. Mas as hordas da estupidez avançam e não nos cabe mais essa bossa nova sepulcral para o mundo exterior, já que estamos falando apenas para nós mesmos.

Segunda – hoje, provavelmente – é dia de organizar, dividir tarefas e desembarcar na praia minada pela hipocrisia de um Poder que busca alavancar-se em sua própria ditadura.

Chega. Ou chegarão conosco, como já estão.

Nossa morte é o passaporte para a Ditadura da toga, tão ilegal e torturadora quanto das armas em mãos erradas.

Mas tolos, não sabem nada sobre nossas andanças e cansaços:

Eles pensam que a maré vai, mas nunca volta

Até agora eles estavam comandando

o meu destino e eu fui, fui, fui recuando e

recolhendo fúrias. Hoje eu sou onda solta

e tão forte quanto eles me imaginam fraca

Quando eles virem invertida a correnteza,

quero saber se eles resistem à surpresa,

quero ver como eles reagem à ressaca.

(Monólogo do veneno, peça Gota D’Água).

Nós estamos acostumados com “tiroteios”, “coentros” e com “ressacas”.

E esses talibãs que infiéis, ousam envergar a toga?

Estamos esperando.


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