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Inteligência emocional no ambiente corporativo nos dias atuais

É preciso chorar, gritar, rir, falar e respirar para não pirar, para nos mantermos inteligentes emocionalmente

Imagem: unsplash

Muito se fala em inteligência emocional nos dias de hoje, onde estamos cercados de informações que mudam a cada segundo, onde o medo do desemprego é diário, onde muitas pessoas sofrem com a desilusão amorosa, medo da solidão, medo de não conseguir ser uma boa mãe, boa esposa, boa filha, boa amiga e acima de tudo uma boa profissional.

No ambiente corporativo é fundamental que todas as emoções estejam devidamente equilibradas para que o desempenho diário, bem como o cumprimento de metas seja atingido. Mas como se manter equilibrada nos dias de hoje?

Para quem exerce o cargo de liderança, por exemplo, o desafio é ainda maior. A líder deve mostrar resiliência, empatia, humanidade, além de ter um conhecimento técnico acima do esperado.

A inteligência emocional para o perfil acima é um soft skill extremamente importante, não que para quem não exerça um cargo de liderança não seja. Profissionais que possuem esta competência, se desenvolvem melhor no seu trabalho, se relacionam melhor com os demais colegas, além de trazer uma maior vantagem para o seu  dia a dia.

Quem possui uma boa dose de inteligência emocional consegue se comunicar melhor, além de ser um melhor ouvinte, de forma a ser capaz de compreender os problemas e conflitos dos outros ao seu redor. Aprender a lidar com as próprias emoções, nada tem a ver com suprimir sentimentos, na verdade é fazer com que se tornem proporcionais às circunstâncias que venham a surgir no dia a dia profissional.

De acordo com o jornalista e psicólogo Daniel Goleman, considerado o pai da inteligência emocional, o controle das emoções é essencial para o desenvolvimento da inteligência emocional de um indivíduo. O especialista ainda aponta que a maioria das situações de trabalho e da vida pessoal são envolvidas por relacionamentos entre as pessoas, o que significa que pessoas com estas qualidades de relacionamento humano tem maiores chances de alcançar o sucesso.

A minha experiência neste quesito, nem sempre foi muito boa. Tive bons líderes,  excelentes colegas de trabalho, além da minha própria família que puderam contribuir de uma forma muito significativa para que eu pudesse desenvolver a inteligência emocional e  me tornasse uma pessoa e profissional melhor.

Não é fácil principalmente após a crise pela qual passamos, se manter equilibrada emocionalmente e profissionalmente. Por sermos mulheres, somos mais cobradas diariamente, afinal temos que dar conta dos filhos, marido, do trabalho e das nossas próprias emoções que mudam a cada dia.

Posso dizer que após a quarentena obrigatória sai mais fortalecida, mais humana, menos estressada, sim, pois ficar em casa de quarentena me ensinou a ser mais paciente comigo e com os outros, ou seja, a inteligência emocional foi extremamente importante para mim neste período.

Para nós mulheres, a crise foi um baita aprendizado, se antes tínhamos que dar conta da vida profissional e pessoal, imagine na quarentena tendo que trabalhar, ajudar com a tarefa escolar dos filhos, brincar, cozinhar, limpar a casa, além de apoiar o marido que muitas vezes não estava acostumado a ficar em casa por tanto tempo. Todas estas questões foram bastante desafiadoras para várias mulheres, mas creio que muitas perceberam que nem sempre irão precisar de uma empregada, que é possível equilibrar o trabalho/filhos/marido/casa, sem nos cobrarmos por uma perfeição desnecessária, que nem sempre precisamos estar de roupa social e com o cabelo e unhas impecáveis para executarmos o nosso trabalho com qualidade, e que não precisamos ter resposta para tudo.

Tivemos a oportunidade de ensinar aos nossos filhos a superarem os momentos difíceis, a rir das pequenas coisas, a serem companheiros, pacientes, pró-ativos e acima de tudo, que é possível se reinventar a cada dia sem perder a delicadeza e a empatia.

Quando voltamos ao “normal”, tivemos que entender que não poderíamos nos comportar como antes, pois o antes nos trouxe para o momento de crise mais difícil que o mundo teve que passar. Aprendemos a ter mais respeito pela vida, o capitalismo deu um maior espaço para o humanismo, valorizamos o que realmente importa e neste quesito, cada um soube com o que se importar de verdade, aprendemos a filtrar melhor as informações vindas de redes sociais bem como da mídia em geral, o tempo livre é mais bem empreendido, ou seja, lemos mais, vamos mais ao parque, damos mais atenção aos nossos bichos de estimação, ao menos é o que eu acredito que muitos fizeram, para vivermos em um mundo mais real e feito de pessoas reais,  e posso dizer que a Inteligência emocional não só foi mas é uma ferramenta para atravessarmos toda e qualquer dificuldade com sabedoria, ela é fundamental para um equilíbrio profissional e pessoal após qualquer crise que possa existir.

Concluo com base em minhas percepções, e nas opiniões dos grupos do qual faço parte que a Inteligência Emocional deve ser trabalhada diariamente e conforme cada situação for surgindo. Como mulheres, acredito que já nascemos preparadas para lidar com toda e qualquer situação que nos desafie, mas isso não significa que devemos ser “heroínas” o tempo todo, é preciso chorar, gritar, rir, falar e respirar para não pirar para nos mantermos inteligentes emocionalmente.


Podcast: o Sem Precedentes desta semana trata de uma pergunta objetiva: afinal, o presidente Jair Bolsonaro, como investigado em inquérito no Supremo Tribunal Federal, pode ou não prestar depoimento por escrito? Ouça:


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