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Um par de ases inesquecível: Roy Hargrove e Mulgrew Miller

Resonance lança registros inéditos do duo trompete-piano sem apoio rítmico

Roy Hargrove e Mulgrew Miller / Crédito: Divulgação

A Resonance Records é uma etiqueta sem fins lucrativos, fundada em 2008 sustentada pela Rising Jazz Stars Foundation, presidida pelo renomado produtor e audio engineer George Klabin. O selo especializado em revelar tesouros fonográficos escondidos anuncia, para o próximo dia 23 deste mês, o lançamento de In Harmony – um CD duplo com registros do duo formado por Roy Hargrove (trompete) e Mulgrew Miller (piano), em apresentações ao vivo, em 2006 e 2007. No Merkin Hall de Nova York e no Lafayette College, em Easton, Pennsylvania, respectivamente.

Os dois grandes jazzmen não tiveram vidas longas. Hargrove – que era estrela da Verve – morreu em 2018, aos 49 anos, vítima de doença renal. Miller – que foi diretor de Jazz Studies da William Peterson University, New Jersey –faleceu em 2013, aos 57 anos, de derrame cerebral.

Só um par de músicoextraordinários seria capaz de interpretar com muito swing, variedade e inventividade, dispensando o apoio do contrabaixo e da bateria, nada menos que 13 peças, somando uma hora e meia de música. As mais longas são versões de What is this thing called love (9m10), aquela canção imortal de Cole Porter, e Con Alma (9m45), inesquecível jazz standard de Dizzy Gillespie da década de 1950.

Já estão disponíveis, como aperitivos desse ágape musical, duas faixas: Blues for Mr. Hill (7m35), original de Hargrove, e Monk’s dream (5m), de Thelonious Monk, que podem ser ouvidas, respectivamente, em https://www.youtube.com/watch?v=nOXNn4fEQUM e https://music.apple.com/br/album/monks-dream-live-single/1570555127.

Outros temas cativantes da tracklist de In Harmony são: Ow!,(5m) de Dizzy Gillespie; Tristeza (8m35), de Tom Jobim; Ruby, my dear (7m55), de Thelonious Monk;I remember Clifford (8m35), de Benny Golson; a canção Never let me go(8m25), de Jay Lingston, imortalizada por Nat King Cole.

reviewer Leonard Weinreich, no site London Jazz News, foi particularmente feliz ao abrir assim o seu comentário sobre este lançamento: “Dependente sobretudo de improvisação inspirada, a música de jazz é algo efêmero. Performances não gravadas evaporam no éter e são irrecuperáveis. Daí a obrigação de cair de joelhos, em determinados momentos, e dizer obrigado às divindades do som gravado”.

presidente da Resonance, Zev Feldman, depois de assinalar a “habilidade no entrosamento desses dois mestres”, afirmou: “Pessoalmente, acho que essas são as mais audaciosas e belas interpretações do repertório clássico do jazz que já ouvi”. (32)

Centenário de Errol Garner

Esta coluna registra com música o centenário, ocorrido neste mês de junho, do “canonizado” pianista Erroll Garner, que morreu de câncer em 1977, aos 55 anos. Com uma gravação feita em 1963, na Bélgica, de Misty, a sua mais célebre composição. (https://www.facebook.com/TheWorldOfJazz/videos/erroll-garner-misty-1963/2490465837926495/)