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Trilogy 2: O trio equilátero de Chick Corea

Pianista, McBride e Blade recriam 12 temas em álbum duplo

Chick Corea Trio / Crédito: Divulgação

Um trio formado por Chick Corea, Christian McBride e Brian Blade pode ser comparado a um triângulo equilátero musical em matéria de congruência e perfeição. O septuagenário pianista-compositor, o baixista e o baterista (estes ainda na faixa dos 40 anos) continuam a ser reverenciados pela crítica especializada e pelos jazzófilos exigentes.

Na mais recente eleição anual da revista Downbeat (edição de agosto), na qual votaram 150 jazz writers do mundo todo, o baixista McBride e o baterista Blade foram os vencedores em suas respectivas especialidades. O primeiro teve mais votos que os também venerados Dave Holland e Ron Carter. Brian Blade derrotou o “imbatível” Jack DeJohnette. Chick Corea chegou ao “pódio” em terceiro lugar, em disputa apertada com os dois mais votados entre os ases do piano neste período 2018-2019: Kenny Barron e Fred Hersch.

Pois a trinca Corea-McBride-Blade ressurge nas lojas e plataformas virtuais com o álbum duplo Trilogy 2, seleção de 12 registros de apresentações nos Estados Unidos, na Europa e no Japão entre 2010 e 2016. Na verdade, um precioso adendo, atualizado, à seleção Trilogy (três discos) que arrebatou o Grammy 2014/2015 em duas categorias: “Best Jazz Instrumental Album” e “Best Improvised Jazz Solo” (no caso, do tema Fingerprints).

De acordo com o mestre dos teclados, tocar ao vivo em tal companhia é como “dar um passeio rua abaixo conversando de maneira casual’’. E “como temos um belo e extenso repertório, e também por causa do relaxamento do trio, cada tema torna-se algo novo quando o interpretamos’’.

A faixa de abertura de Trilogy 2 é o imperecível standard How deep is the ocean (12m), de Irving Berlin, com delicada introdução arpejada do líder, de mais de dois minutos, logo esquentada pela seção rítmica, com realce para um solo fora de série (a partir dos 6m50) do baixista McBride.

Da sua lavra, Corea selecionou recriações hipnóticas das seguintes peças: 500 miles high (11m), originalmente gravada, em 1972, pela primeira formação do seu conjunto ‘‘fusionista’’ Return to Forever; La fiesta (7m10) daquela mesma época, e que o pianista gravou depois em duo com o vibrafonista Gary Burton (Duet, ECM, 1979); Now he sings now he sobs (16m15), que deu título ao antológico álbum de 1968 do trio com Roy Haynes (bateria) e Miroslav Vitous (baixo).

Do genial Thelonious Monk (1917-1982) o trio de Corea escolheu Work (4m55) e a inesquecível balada Crepuscule with Nellie (6m40) que o‘‘High Priest of Bebop’’ compôs para a sua mulher.

Os outros temas que já nasceram jazzísticos são: All blues (11m35), uma das composições de Kind of blue (Columbia, 1958), do sexteto de Miles Davis-John Coltrane, e que foi um dos mais influentes álbuns do jazz moderno; Lotus blossom (10m15), do trompetista bop Kenny Dorham (1924-1972); Serenity (7m40), do saxofonista Joe Henderson (1937-2001).

(Samples de Trilogy 2 em: https://music.apple.com/us/album/trilogy-2-live/1477683289)


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