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Terri Lyne Carrington eleita a ‘artista do ano’ pela Downbeat

Baterista e bandleader também faturou o ‘álbum do ano’

Terri Lyne Carrington
Baterista Terri Lyne Carrington / Crédito: Divulgação/John Watson

A baterista e bandleader Terri Lyne Carrington, 55 anos, é a grande vencedora do 68º referendo anual da revista Downbeat, que voltou a reunir os mais influentes críticos de jazz do mundo todo. Ela foi eleita “Jazz artist of the year” (2019-2020) e o seu Waiting Game (Motema) foi o mais votado na categoria de “melhor álbum”. Como não podia deixar de ser, a banda criada e liderada por Carrington, batizada de Social Science, chegou também em primeiro lugar no páreo dos jazz groups.

Assim é que as mulheres vão ocupando de igual para igual, cada vez mais, territórios que eram dominados pelos jazzmen, e nos quais se contentavam com a condição de sidewomen. Vale lembrar que, no referendo do ano passado da DB, a vocalista-compositora Cécile McLorin Salvant foi também a primeira colocada na categoria Jazz artist of the year, à frente da guitarrista Mary Halvorson e do barbado – e há muito canonizado – saxofonista Wayne Shorter.

Os resultados detalhados da referencial eleição da DB, em todas as categorias, estão publicados na edição de agosto da revista, já disponível para os assinantes. O editor Bobby Reed já se pronunciou sobre a “tríplice coroa” conquistada pela baterista-bandleader nos seguintes termos: “Como instrumentista, produtora, educadora e ativista, Terri Lyne Carrington é uma força excepcional na comunidade jazzística. Seus dotes de bandleader são evidentes não só na incrível música de Waiting Game, mas também no monte de elogios que tem recebido”.

O álbum duplo é uma espécie de manifesto na linha do movimento “Black Lives Matter” sobretudo no primeiro volume, com vocalizações em todas as faixas (até uma a capella). O segundo disco (“Dreams and Desperate Measures”) é uma suíte orquestral em quatro partes. No conjunto básico liderado por Carrington atuam Aaron Parks (piano), Mathew Stevens (guitarra) e Esperanza Spalding (baixo, vocais).

No 68º referendo anual da Downbeat uma outra jazzwoman voltou a brilhar. Kris Davis, 40 anos, empatou com o veterano Kenny Barron no topo da lista dos pianistas, ambos derrotando os favoritos Chick Corea e Fred Hersch. Em 2018, Kris tinha sido eleita, no mesmo pleito, na divisão de “estrela em ascensão” (rising star jazz artist). No ano passado, ela já surpreendera todo mundo ao aparecer em primeiro lugar na lista dos melhores discos da temporada da National Public Radio (NPR) com Diaton Ribbons (Pyroclastic).

As jazzwomen que têm chegado habitualmente em primeiro lugar nos critics pools da DB mantiveram as suas posições: Maria Schneider (big band, compositor, arranjador); Jane Ira Bloom (sax soprano); Anat Cohen (clarinete); Nicole Mitchell (flauta); Mary Halvorson (guitarra), à frente de Bill Frisell; Regina Carter (violino).

No Hall of Fame da premiação anual da Downbeat foi entronizado o grande saxofonista Jimmy Heath, que morreu em janeiro último, aos 93 anos. Ele era irmão do baixista Percy (1923-2005) e do octogenário baterista Al “Tootie”, ainda ativo, e com os quais formou o Heath Brothers, conjunto que fez sucesso na década de 1970.

( Samples de Waiting Game em: https://music.apple.com/us/album/waiting-game/1474267421 )


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