Jazz

fora de série

San Francisco Jazz Collective reverencia a música de Jobim

Novo álbum do oiteto reúne 12 temas do gênio da bossa nova

Foto: divulgação

O San Francisco Jazz Collective (SFJC) é um oiteto fora de série criado em 2004, e mantido pela organização SF Jazz – correspondente, na Costa Oeste dos Estados Unidos, à instituição Jazz at Lincoln Center, sediada em Nova York.

O conjunto é integrado, sempre, por instrumentistas-arranjadores do primeiro escalão, e reúne-se anualmente para ensaiar e recriar composições de um dos “grandes” do jazz moderno, além de peças originais inspiradas na obra do músico selecionado. Os frutos desses encontros de trabalho são apresentados em concertos e gravados ao vivo. No primeiro ano, o grupo dedicou-se à obra de Ornette Coleman. Nos anos seguintes, os mestres escolhidos para os concertos, com seleções registradas em discos, foram, entre outros, John Coltrane, Herbie Hancock, Thelonious Monk, Wayne Shorter, Horace Silver e Miles Davis.

Os atuais membros do SFJC são: Miguel Zenón (sax alto), o único do time original; David Sánchez (sax tenor); Etienne Charles (trompete); Robin Eubanks (trombone); Warren Wolf (vibrafone); Edward Simon (piano); Matt Brewer (baixo); Obed Calvaire (bateria).

Para a saison 2018-19, o SFJC elegeu The Music of Antônio Carlos Jobim, documentada em álbum duplo constante de 12 composições do gênio da bossa nova, além de oito peças de autoria de cada um dos membros do conjunto. Os “pratos” constantes do refinado “menu” ofertado aos jazzófilos já estão disponíveis nas lojas e plataformas virtuais.

As quatro primeiras faixas do álbum principal são, talvez, as canções mais “internacionalizadas” do carioca Tom Jobim: Garota de Ipanema (4m20) e Retrato em branco e preto (3m35), arranjadas pelo pianista Simon; Samba de uma nota só (4m25), versão com abertura originalíssima do saxofonista Zenón; Águas de março (5m40), partitura do baterista Calvaire, com molho afro-cubano.

A propósito, vale lembrar que metade do SFJC tem certidão de nascimento latino-americana, embora esses quatro músicos não tenham se distinguido em suas carreiras, apenas, como estrelas exclusivas do chamado Latin jazz. Os celebrados Zenón e Sanchez são portorriquenhos; o pianista Simon nasceu na Venezuela; Etienne Charles é da caribenha Ilha de Trinidad.

Além das faixas acima destacadas, merecem especial apreciação: Chega de saudade (7m05), arranjo do vibrafonista Wolf partindo de um contraponto com o pianista Simon que remete ao inesquecível Modern Jazz Quartet de John Lewis-Milt Jackson; A felicidade (6m55), recriada num ritmo festivo, sambado, por David Sanchez, com solos de Simon e do trombonista Eubanks; Corcovado (5m30), numa versão bem impressionista assinada pelo baterista Calvaire, com realce para as “vozes” do sax tenor e do baixo (inclusive com arco) de Matt Brewer; Ligia (6m35), arranjo em allegro vivace do trompetista Etienne Charles, com o vibrafonista Wolf e a seção rítmica em evidência.

Para quem não tem acesso ao Spotify, samples do álbum podem ser ouvidos em: itunes.apple.com/us/album/waters-of-march-live/1456181185?i=1456181339


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