Jazz

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O jazz camerístico de Wasilewski e Joe Lovano

Trio do pianista polonês e tenorista nº1 do jazz juntos em Arctic Riff

Wasilevski
O trio polonês poloneses Marcin Wasilevski (piano), Slawomir Kurkiewicz (baixo) e Michal Miskiewcz (bateria) / Crédito: Divulgação/Andrzej Łazarz

No ano passado, como registrou esta coluna (2/11), o 50º aniversário da fundação do selo ECM (Edition of Contemporary Music) foi celebrado na principal sala de concertos do Jazz at Lincoln Center, em Nova York, com uma homenagem ao seu fundador: o cidadão do mundo Manfred Eicher. Aos 77 anos, ele continua a dirigir, lá em Munique, a etiqueta que se tornou sinônimo do jazz não apenas como um meio de expressão artística de raízes afro-americanas, mas também como um modo de criar música “camerística” improvisada. Em Nova York ou em Munique. Ou na Polônia.

Assim é que merece especial destaque o lançamento do álbum Arctic Riff, gravado por Eicher na França, com um quarteto formado pelo grande saxofonista Joe Lovano e pelos jazzmen poloneses Marcin Wasilevski (piano), Slawomir Kurkiewicz (baixo) e Michal Miskiewcz (bateria).

Vale lembrar que Vasilewski, 44 anos, foi o pianista preferido do grande trompetista Tomasz Stanko (1942-2018) na última fase da carreira do “Miles Davis polonês”. E com ele pode ser ouvido em três preciosos registros da ECM: Soul of Things (2002), Suspended Night (2004) e Lontano (2006).

O sexagenário Joe Lovano dispensa maiores apresentações. Basta lembrar que na última eleição anual dos críticos do mundo todo, promovida pela Downbeat, ele continuou a merecer o primeiro lugar no time dos saxofonistas tenores, à frente de Charles Lloyd e Branford Marsalis).

Arctic Riff é uma seleção de 11 faixas, com duração total de uma hora. Quatro peças são originais do pianista polonês: as contemplativas Glimmer of hope (8m30), Fading sorrow (6m) e Old hat (5m35), mais a movimentada L’amour fou (8m50). Joe Lovano assina On the other side (5m), levada pelo quarteto em tempo rápido, de modo bem free. Esse tipo de improvisação sem balizamento é também marcante em Arco (4m) – com efeitos multifônicos do saxofonista – e na longa Cadenza (9m). Vashkar, marcante composição de Carla Bley da década de 1960, é objeto de duas versões, com destaque para Lovano solando em trio (sem piano) na segunda.

Sem depreciar absolutamente a performance do consagrado trio polonês, vale transcrever frase do reviwer George Harris ao comentar este novo álbum da ECM no site Jazz Weekly: “Lovano prova o adágio de que todos os saxofonistas tenores ficam ainda melhores com o passar dos anos, em matéria de tom, vibrato e descontração”. 

(Samples deste álbum em: https://www.challengerecords.com/products/15871254417999)

(A faixa Glimmer of hope pode ser ouvida em:https://www.marlbank.net/posts/marcin-wasilewski-trio-arctic-riff)


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