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Miho Hazama: nova estrela no céu do jazz

Arranjadora-chefe de orquestra nascida no Japão lança álbum com temas de Monk

Miho Hazama nasceu em Tóquio há 31 anos. Em 2012, ela completou o mestrado em composição na afamada Manhattan School of Music, sob a orientação do mestre-arranjador Jim McNeely. E também sob a influência dMaria Schneider – a maior estrela do jazz dos últimos tempos, independentemente de gênero, assim considerada nos “critics poll” anuais da revista Downbeat nos quesitos melhores compositores, arranjadores e chefes de orquestra.

Embora seja ainda um kept secreta japonesa radicada em Nova York ganhou, em 2015, o 16º “Annual Charlie Parker Jazz Competition Prize” pela composição intitulada Somnambulant. No ano seguinte, foi incluída pela Downbeat na lista “25 (músicos) para o futuro”. E teve muito sucesso nas apresentações como líder do seu conjunto batizado de “m_unit” no clube Jazz Standard e no ainda mais celebrado Dizzy’s Club, no Jazz at Lincoln Center.

Antes de emigrar para os Estados Unidos, Miho Hazama formara-se em composição clássica, em 2009, no colégio Kunitachi, de Tóquio. Mas nunca escondeu a sua admiração por Maria Schneider: “Ouvi pela primeira vez a música de Maria quando eu tocava numa big band lá em Tóquio. Tempos depois, encontrei-numa master class na Manhattan School of Music e, mais tarde, entrevistei-a para uma revista de jazz japonesa. Dei-lhe meu primeiro CD (Journey to Journey, Sunnyside, 2013), que ela adorou. Desde então ela tem me apoiado e encorajado”.

Hazama é também exímia pianista, mas resolveu focar-se na arte da composição e do arranjo, como ela mesma explica: “Meu processo de composição começa no piano acústico (…). Mas optei pela composição porque estava mais interessada nos conceitos de geometria e lógica que eu podia explorar” (entrevista a Dan Ouellette, janeiro 2017).

Isto posto, indica-se vivamente aos jazzófilos mais exigentes o recém-lançado álbum The Monk: Live at Bimhuis, o terceiro da discípula japonesa de Jim McNeely e Maria Schneider para o selo Sunnyside.

Trata-se de um “concerto” de cerca de uma hora, gravado ao vivo, no referencial clube de jazz de Amsterdã, com sete das mais conhecidas e impactantes composições de Thelonious Monk arranjadas por Miho Hazama, e interpretadas pela afamada Metropole Orkest da Holanda – instituição fundada em 1945, que toca jazz (como big band de 17 músicos) e também música erudita propriamente dita. O registro, de outubro do ano passado, foi de uma noite muito especial no Bimhuis, para celebrar o centenário do genialFounding Father do jazz moderno, também chamado de High Priest of Bebop.

As peças de Thelonious Monk recriadas nos sofisticados arranjos de Hazama (e por ela conduzidas ao vivo) são as seguintes, com os respectivos solistas em evidência: Thelonious (6m40), Leo Janssen (clarinete) e Rik Mol (trompete); Ruby, my dear (8m35), Hans Vroomans (piano); Friday the 13th(6m55), Rik Mol (flugelhorn), Mark Scholten (sax soprano); Hackensack(6m50), Scholten (sax alto), Peter Tiehuis (guitarra); Round midnight (7m50), Hans Vroomans (piano); Epistrophy (7m50), Leo Janssen (sax tenor);Crepuscule with Nellie (5m15), Vroomans (piano).

(Samples de The Monk: Live at Bimhuis podem ser ouvidos em:https://itunes.apple.com/az/artist/miho-hazama/321789279)


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