Jazz

autoidentidade

Melissa Aldana: jazz inspirado em Frida Kahlo

Saxofonista chilena new star lança suíte Visions 

Foto: divulgação

A chilena Melissa Aldana tinha 24 anos, em 2013, quando venceu a Thelonious Monk International Jazz Saxophone Competition, numa final que teve lugar no Kennedy Center, Washington, perante um júri integrado por suas excelências Wayne Shorter, Jimmy Heath. Bobby Watson e Branford Marsalis. Ela se formara no Berklee College of Music, Boston, em 2009, e logo em seguida foi viver e tocar em Nova York.

Em 2012, a tenorista já comandava o Crash Trio, com o também chileno Pablo Menares no baixo e o cubano Francisco Mela na bateria. O primeiro CD do grupo foi lançado pela Concord Jazz em 2014. E, no ano seguinte, ela foi a mais votada “rising star” na categoria dos saxofonistas tenores (independentemente de gênero) no referendo anual dos críticos promovido pela revista Downbeat, na frente de Marcus Strickland e David Sanchez.

O selo independente Motéma está lançando neste mês o álbum Visions, que Melissa Aldana qualifica – a partir da faixa-título de mais de oito minutos – “uma exploração musical de autoidentidade e expressão influenciada por Frida Kahlo”. A saxofonista-compositora é também artista plástica, admiradora não só da referencial pintora mexicana (1907-1954), como também do expressionista equatoriano Oswaldo Guayasamin (1919-1999).

Nesse novo registro de 11 peças feito em estúdio em setembro do ano passado – o mais autoral de sua discografia – a jazzwoman lidera um quinteto com Sam Harris (piano), Pablo Menares (baixo), Tommy Crane (bateria) e Joel Ross (vibrafone).

A faixa-título, de mais de oito minutos, é a peça básica da suíte comissionada pela Jazz Gallery de Nova York, como parte de um programa de “residência” para artistas emergentes. E assim como também em La Madriña (6m05), El castillo de Velenje (9m10), Acceptance (4m55) e Elsewhere(6m), Aldana “explora com arrojo e paixão todo o espectro sonoro do sax tenor”, como comentou Bill Milkowski (Paste Magazine). Sem deixar de revelar sua sintonia, neste particular, com o genial John Coltrane e, em alguns momentos, com o mais “melodioso” Benny Golson.

O quinteto vira quarteto (sem o vibrafone de Joel Ross) em três faixas: a balada Never let me go(6m30), o único standard do programa; a animada The search (6m30); a contemplativa Abra tus ojos(2m35), com Sam Harris trocando o piano acústico pelo Rhodes.

As três peças restantes, interpretadas pelo grupo completo, são Perdon (3m40), Dos casas, un puente(8m25) e Su tragedia (5m25). Embora não apresentadas em sequência, refletem muito bem os sentimentos de Melissa Aldama em face daquela que foi uma das mais criativas e conturbadas dramatis personae das artes plásticas do Século 20.

A saxofonista-compositora assim resumiu a concepção do álbum Visions: “Para captar a complexidade de nossas escolhas na vida, as lutas de Kahlo e os meus próprios desafios pessoais, determinei nessa música parâmetros de tensão e resolução, e arranjei – amarrando bem – certas seções. Mas também deixei espaço suficiente para seções de livre improvisação e possíveis arranjos espontâneos dentro da forma”.

(Faixa-título Visions: www.youtube.com/watch?v=Z1VmQEGrExE)

(Samples de todas as faixas: www.diggersfactory.com/vinyl/226796/melissa-aldana-visions)

 

Ron Carter no Brasil

Ron Carter, o maior dos contrabaixistas de jazz vivos, iniciou por Brasília, nesta quinta-feira (9/5), em noite memorável, o seu “Brazilian Tour”. Aos 82 anos, no comando do seu trio (Russell Malone, guitarra; Donald Vega, piano), ele se apresenta neste sábado (11) no Rio de Janeiro (Rio Othon Palace, Av. Atlântica); no domingo (12) em São Paulo (Bourbon Street Club); na terça-feira (14), em Belo Horizonte (Palácio das Artes).

Como sabem os jazzófilos mais antenados, a fama de Ron Carter consolidou-se já na década de 1960 quando integrou o “Second Great Quintet” de Miles Davis, juntamente com Wayne Shorter, Herbie Hancock e Tony Williams. Ou seja, aquele conjunto que gravou para a Columbia os antológicos álbuns Miles Smiles, Nefertiti e Filles de Kilimanjaro.


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