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Keith Jarrett encerra a sua carreira

ECM lança o Budapest Concert, de 2016

Keith Jarrett / Crédito: Wikimedia Commons

Quando o genial pianista Keith Jarrett completou 60 anos de idade, em 12 de maio de 2005, publiquei um artigo comemorativo cuja abertura agora reescrevo:

“O garoto prodígio, nascido em Allentown, Pennsylvania, começou a estudar piano antes dos 4 anos; dava recitais aos 7; foi aluno de Nadia Boulanger e da Berklee School of Music; aos 21 deixou os Jazz Messengers de Art Blakey e juntou-se ao quarteto hippie de Charles Lloyd. Em 1975, já como estrela, criou e executou, solo, o antológico Köln Concert, que vendeu mais de 2 milhões de cópias, e tornou viável a etiqueta alemã ECM. Nos anos 80 e 90 consagrou-se, ainda mais, à frente do seu fascinante e interativo Standards Trio (Jack DeJohnette, bateria; Gary Peacock, baixo). E mais. Trancou-se algumas vezes nos estúdios para gravar as Variações Goldberg O Cravo Bem Temperado, de Bach. E ainda Mozart, Händel e os 24 prelúdios e fugas de Shostakovitch”.

O último concerto de Jarrett teve lugar no Carnegie Hall, Nova York, em janeiro de 2017, e já havia uma expectativa mais ou menos tensa sobre suas “condições de saúde”. Até que, na semana passada, em entrevista a Nate Chinen (New York Times), ele confirmou que não mais se apresentará em público.

Um derrame em fevereiro de 2018 e um segundo, tempos depois, farão com que o genial músico confronte “um futuro sem o piano”, como ele próprio admite.

“Fiquei paralisado. Meu lado esquerdo ainda está parcialmente atingido. Posso andar com a ajuda de uma bengala, mas ainda vai durar um ano ou mais para a recuperação” – disse ele ao NYT.

Mas, apesar dessa notícia muito triste, a ECM confirmou o lançamento, neste fim de semana, do CD duplo Budapest Concert, o segundo da sua derradeira turnê europeia (o primeiro, Munich 2016, de 16 de julho de 2016, fora editado e distribuído em novembro do ano passado).

Budapest 2016, gravado ao vivo no Bela Bartok Concert Hall da capital húngara, tem ao todo uma hora e 26 minutos de música. O CD-1 reúne apenas quatro “partes”, das quais a primeira é uma bem longa improvisação de 14m40s. No CD-2, Keith Jarrett “investiga” seis “temas”, dos quais apenas os três últimos (encores) têm títulos: Blues (4m05), It’s a lonesome old town (8m) e Answer me (4m30).

A interpretação desta última melodia – que Nat King Cole jazzificou em 1954 – tinha sido “liberada” pela ECM em maio último, para celebrar os 75 anos de Jarrett. E pode ser ouvida aqui.

Os samples das faixas estão disponíveis na Apple Music.


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