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Warna, mais uma ‘arte’ do garoto Joey Alexander

No novo álbum, pianista de 16 anos lidera trio com Larry Grénadier e Kendrick Scott

Joey Alexander
Joey Alexander / Crédito: Reprodução YouTube

Antes de comemorar o seu 12º aniversário, no início de 2015, o pianista Joey Alexander surgiu como um incrível menino-prodígio, com o lançamento do CD My Favorite Things (Motéma), que foi um dos finalistas do Grammy daquele ano nas categorias jazzísticas de “melhor álbum” e “melhor solo improvisado”. No ano seguinte, o seu segundo registro para a mesma etiqueta, Countdown, foi também nomeado para o Grammy. Em outubro de 2017, o garoto consolidou o seu prestígio com a edição, sempre pela Motéma, de Joey.Monk.Live – um concerto gravado alguns meses antes no Appel Room do Jazz at Lincoln Center.

Agora, aos 16 anos, é claro que ele deixou de ser admirado, apenas, por ser aquele menino nascido Josiah Alexander Sila, em Bali, Indonésia, e que, pouco depois de chegar com a família aos Estados Unidos, em 2014, obteve o visto “0-1” (para estrangeiros de “extraordinária habilidade”). Radicado desde então em Nova York, Joey Alexander é hoje ouvido e respeitado por seus pares e críticos especializados como um ‘‘senhor pianista’’ (além de compositor), independentemente de idade ou de origem.

Assim é que a Verve Records não perdeu mais tempo. ‘‘Comprou o passe’’ de Alexander, e já está promovendo o CD Warna (‘‘cor’’ em bahasa, a língua dominante na Indonésia). Trata-se de uma multicolorida sessão de estúdio de pouco mais de uma hora, com 12 faixas interpretadas pelo virtuose do teclado, em trio com baixista Larry Grénadier, 53 anos – o favorito do grande Brad Mehldau – e o baterista Kendrick Scott, 39 anos. O percussionista venezuelano Luisito Quintero aquece o clima da sessão em duas peças particularmente swinging: a faixa-título (6m40) e Downtime (4m25). A flauta de Anne Drummond faz do trio um quarteto em The light (3m35) e Affirmation III (5m45).

Apenas dois títulos da setlist não são de autoria do ainda adolescente pianista-compositor: Inner urge (7m15), do inesquecível saxofonista Joe Henderson (1937-2001), e Fragile (4m35), do popstar Sting, safra 1988.

O texto de apresentação do novo CD destaca o ‘‘profundo sentimento de fé’’ de Joey Alexander presente na sua música, que ‘‘incorpora discretamente elementos do gospel assim como da Latin music, embora o todo emergente tenha um notável senso de forma e uma aguda habilidade de gerar emoção no curso da performance’’. E é ele mesmo quem diz: ‘‘Este álbum é uma reflexão sobre o meu crescimento espiritual como músico’’.

mesma introdução ao álbum Warna refere-se a Herbie Hancock como o ‘‘heroi’’ de Alexander. E o mestre é, sem dúvida, evocado nos seus solos, assim como são citados, aqui e acolá, Keith Jarrett e McCoy Tyner. O mais precoce virtuose do piano da história do jazz não deixa de exibir técnica e versatilidade primorosas, também, nas improvisações criadas no terreno sempre perigoso da freeform (a já citada Afirmation III e Affirmation I).

Vídeo da gravação de Down time:

Vídeo da gravação de Warna:


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