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Jazz Master George Coleman volta ao estúdio em The Quartet

Ao lado do saxofonista, o pianista Harold Mabern, que morreu em setembro

George Coleman
Crédito: Divulgação/ Facebook

Em 2015, o saxofonista tenor George Coleman foi premiado pelo conjunto da obra ao receber o título de jazz master da respeitada National Endowment for the Arts (NEA). No ano seguinte, a etiqueta nova-iorquina Smoke Sessions editou o álbum A Master Speaks, com o mestre no comando de um quarteto com Mike LeDonne (piano), Bob Cranshaw (baixo) e George Coleman Jr (bateria).

Para quem não sabe ou não se lembra, Coleman era o sax tenor do histórico quinteto de Miles Davis de 1963-64 (Herbie Hancock, piano; Ron Carter, baixo; Tony Williams, bateria) que gravou para a Columbia os antológicos álbuns Seven Steps to Heaven Four & More.

Aos 84 anos, ainda ativo, o master acaba de lançar um novo CD – produzido em estúdio, pela mesma Smoke – intitulado simplesmente The Quartet, ao lado do baixista John Webber, do baterista Joe Farnsworth e do seu velho amigo e renomado pianista Harold Mabern.

E este registro, de maio último, passou a ser particularmente significativo pelo fato de que Mabern morreu, vítima de um ataque cardíaco, no último dia 17 de setembro, aos 83 anos. Ele e o saxofonista nasceram em Memphis, Tennessee, estudaram juntos na high school, e gravaram juntos, eventualmente, desde o primeiro LP do pianista como líder (A Few Miles from Memphis, Prestige, 1968).

Em The Quartet, Coleman e seus parceiros interpretam nove faixas bem balanceadas em termos de origem e concepção, das quais apenas duas são originais do líder: Paul’s call (6m25), a swinging, peça de abertura, com o saxofonista enfatizando sheets of sound à la John Coltrane; East 9th Street Blues (12m05), com solo fulminante do líder, de cinco minutos, seguido de uma ‘‘declaração’’ do pianista Mabern de pouco mais de um minuto, e de trocas de compassos entre os quatro membros do combo em pé de igualdade.

Os standards incluídos no programa são: o dançante I wish you love (6m05); Lollipops and roses (6m15), de Tony Velona, sucesso comercial da década de 1960, levado em 3/4; a balada When I fall in love (11m), de Victor Young; a também romântica You’ve changed (10m15).

Dois temas que nasceram jazzísticos foram selecionados e recriados pelo quarteto de George Coleman: a balada Prelude to a kiss (8m25), escrita por Duke Ellington em 1938; Along came Betty (5m55), que é, a meu ver, uma das duas mais belas e irresistíveis melodias inventadas pelo também magistral saxofonista Benny Golson (a outra é Whisper not).

O álbum The Quartet tem como número final uma joia de Tom Jobim: Triste (6m55). A seção rítmica destaca-se especialmente na batida da bossa nova por sobre a qual devaneia o sax tenor de Coleman.

(Samples deste álbum em: https://music.apple.com/fr/album/the-quartet/1474674891)


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