Jazz

Álbum

Ingrid Jensen reinventa a música de Kenny Wheeler

Em Invisible Sounds a trompetista lidera quinteto com saxofonista Steve Treseler

Crédito: Divulgação

O trompetista Kenny Wheeler morreu aos 84 anos em 2014. Mas não é lembrado e cultuado apenas no Canadá, onde nasceu, e na Europa, onde viveu e atuou desde a década de 1950.Integrou durante muito tempo a orquestra do saxofonista inglês John Dankworth, mas acabou filiando-se a grupos vanguardistas como a Globe Unity Orchestra e o quarteto de Anthony Braxton. Formou o trio Azimuth, com John Taylor e a vocalista Norma Winstone, e foi ainda membro do excelente quinteto do baixista Dave Holland, de 1983 a 87, período em que se afirmou como um dos mais criativos pistonistas do jazz contemporâneo.

A também canadense Ingrid Jensen, 52 anos, graduada no Berklee College of Music de Boston e radicada em Nova York, foi aluna de Kenny Wheeler, antes de tornar-se uma estrela do trompete (gênero à parte) como um dos principais solistas da orquestra de Maria Schneider – a mais aplaudida e premiada big band de jazz destas últimas duas décadas.

Isto posto, indica-se vivamente o álbum Invisible Sounds, do selo inglês Whirlwind, no qual a trompetista e o ótimo saxofonista Steve Treseler (baseado em Seattle) lideram um quinteto que interpreta – em estúdio e ao vivo – uma seleção de nove composições selecionadas do catálogo do saudoso Kenny Wheeler. Os outros músicos do combo são também da “Primeira Liga”: Geoffrey Keezer (piano), Martin Wind (baixo) e Jon Wikan (bateria).

Nas notas de apresentação de Invisible Sounds, Ingrid Jensen afirma: “Foi ao mesmo tempo uma honra e uma emoção, que jamais esperei e nunca esquecerei, participar dessa jornada a partir de composições do grande Kenny Wheeler. Tendo sido um dos sortudos que estudaram e conviveram com ele, sinto-me abençoada pela oportunidade de gravar essas peças em honra do seu enorme legado”.

álbum, gravado em 2015, começa e termina com versões de Foxy Trot, no estúdio (7m40) e ao vivo, no Royal Room de Seattle (9m15), respectivamente. Na primeira, a trompetista dá mais realce à melancolia implícita no tema, e a sua irmã Christine (sax soprano) também sola, associando-se ao quinteto como convidada. Na segunda versão, bem mais movimentada, o sax tenor de Treseler remete, decididamente, às sheets of sound de John Coltrane.

A faixa mais longa e (a meu ver) mais cativante do CD é Gentle piece (10m45)na qual a voz de Katie Jacobson atua como instrumento na abertura da peça – um colóquio entre os membros do combo que bem exprime a polidez expressa no título da composição, com o saxofonista Treseler tocando também clarinete. Old time (8m05), por sua vez, gravada ao vivo, é levada num ritmo bem dançante, quase funky. Os líderes dispensam a seção rítmica e se apresentam em duo numa faixa bem curta, mas nem por isto menos atraente: Duet (1m15). Já em546 (3m50), o pianista Geoffrey Keezer dá um show em matéria de conciliação de acordes e arpejos arriscados, à la McCoy Tyner.

Porém, mais relevante em Invisible Sounds é mesmo o desempenho da trompetista Ingrid Jensen, que relembra e reinventa, com engenho e arte notáveis, a música flutuante e envolvente do magistral Kenny Wheeler.

(Ouvir faixas de Invisible Sounds em: music.whirlwindrecordings.com/album/invisible-sounds-for-kenny-wheeler)


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