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Eric Alexander with Strings

Saxofonista tenor divaga sobre tapete de cordas com apoio do seu trio

Eric Alexander
Eric Alexander / Crédito: Hreinn Gudlaugsson / CC BY-SA

Os álbuns de saxofonistas de jazz renomados com acompanhamento de conjuntos ou orquestras de cordas (‘‘with strings’’) são, via de regra, tidos como concessões comerciais destinadas a cativar uma audiência muito maior, além do círculo mais ‘‘fechado’’ dos jazzófilos propriamente ditos.

Contudo, até o genial Charlie Parker – o principal founding father do bebop – gravou o seu with strings para a Mercury/Verve, lá na década de 1950, recriando melodias tão batidas como April in Paris ou In the mood for love. Em 1962, Stan Getz, o Mr.Sound, conquistou ‘‘gregos e troianos’’ com o antológico LP Focus (Verve), improvisando em vôo livre por sobre conjunto de cordas e seção rítmica, em arranjos do magistral Eddie Sauter (1914-1981).

Estes precedentes são citados para recomendar, com certo atraso, o álbum Eric Alexander with Strings, nas lojas e plataformas virtuais desde janeiro último. Trata-se do 12º registro do admirável saxofonista tenor, hoje com 51 anos, para o selo HighNote. E vale lembrar que ele começou a se destacar na cena jazzística em 1991, quando chegou em segundo lugar na referencial Thelonious Monk Institute International Competion, para jovens músicos, logo atrás de Joshua Redman, perante um júri integrado pelos “imortais” Benny Carter, Jimmy Heath, Jackie McLean, Frank Wess e Branford Marsalis.

O novo CD de Alexander, na verdade, foi gravado em sessões de estúdio anteriores ao aplaudido Songs of no Regretde 2017, em quarteto com Joe Farnsworth (bateria), John Webber (baixo) e o pianista Dave Hazeltine.

Estes fieis sidemen estão também no recém-lançado Eric Alexander with Stringsque não se propõe a ser nada de extraordinário no gênero, mas um álbum particularmente representativo da arte de um tenorista maior, consciente do seu engenho e da sua arte, perambulando por sobre um confortável tapete de cordas (nove violinos, duas violas, dois violoncelos). Mais, é claro, o refinado aquecimento da seção rítmica, e ainda discretas intervenções de flauta e de trompa.

Os arranjos das seis faixas do disco são de Dave Rivello que, como comentou J.B. Considine (Downbeat), calibra muito bem o contraste entre as cordas e o trio propriamente rítmico, enquanto Alexanderr entende muito bem que ‘‘as suaves harmonias providas pelas cordas são mais efetivas se mantidas em confronto com a insistência musculosa do saxofone’’.

Os temas interpretados no with strings de Alexander/Rivello não são standards muito habituais nos repertórios dos jazzmenA faixa mais longa (7m), Lonely woman, não é aquela inesquecível composição de Ornette Coleman de igual título, mas a balada de Horace Silver constante do LP Song for my Father (Blue Note, 1965). A romântica The thrill is gone (5:55) era do repertório de Chet Baker. São de Henry Mancini (1924-1994) as melodias de Dreamsville (5m10) Slow, hot wind (6m20). Some other time (5m35), de Leonard Bernstein, é aos poucos aquecida até uma contundente ‘‘declaração’’ de um minuto, sem nenhum comping, do saxofonista-líder. A única composição assinada por Eric Alexander é Gently (6m35), com realce especial para o piano sempre de alto nível de Dave Hazeltine.

A faixa Dreamsville pode ser ouvida abaixo:

(Samples de todos os títulos em: https://music.apple.com/us/album/eric-alexander-with-strings/1485616298)

 


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