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Enrico Rava e Joe Lovano juntos em Roma

Novo álbum do pistonista e do saxofonista foi gravado ao vivo, no ano passado

Enrico Rava
Enrico Rava/ Crédito: Divulgação

Três trompetistas nascidos fora dos Estados Unidos inscreveram os seus nomes no “livro de ouro” do jazz contemporâneo: o italiano Enrico Rava, 74 anos; o polonês Tomasz Stanko, (1942-2018); o canadense-britânico Kenny Wheeler (1930-2014). A poética musical desses mestres caracterizou-se sempre – guardados tons muito próprios de suas personalidades – por improvisações abstratas, especulativas, surpreendentes, com contrastes inesperados entre a melancolia e o humor. E não é por acaso que os seus mais relevantes registros estejam no catálogo da ECM – a requintada etiqueta de Munique fundada e dirigida por Manfred Eicher há meio século, e cujo lema é “The most beautiful sound next to silence”.

Devidamente atualizada, esta foi a introdução que escrevi nesta coluna (31/8/2015) quando do lançamento de Wild Dance, que foi o décimo disco de Enrico Rava para a ECM. E o texto é agora reproduzido para saudar e recomendar o álbum Roma (do mesmo selo, é claro), já nas lojas e plataformas virtuais, e que é também uma celebração do 80º aniversário do magistral pistonista-compositor.

Mas, por si só, Roma é um registro imperdível da música inebriante criada por um quinteto que tem à frente o par de ases formado por Rava e pelo magistral saxofonista tenor Joe Lovano que, aos 66 anos, chegou novamente em primeiro lugar, na sua especialidade, no ranking anual dos críticos da revista Downbeat (edição de agosto). O novo álbum foi gravado ao vivo, em novembro do ano passado, no Auditorium Parco della Musica, em Roma. Os três outros músicos do combo são também craques: o italiano Giovanni Guidi (piano) e os americanos Dezron Douglas (baixo) e Gerald Cleaver (bateria).

Nas cinco extensas (mas jamais maçantes) faixas de Roma, Enrico Rava toca flugelhorn,o irmão mais gordo do trompete usual, e que é mesmo o veículo ideal para o chiaroscuro das suas invenções melódicas. E são de sua autoria as duas primeiras peças do programa: a melancólica Interiors (15m), com introdução de Lovano seguida de hipnóticos solos do pistonista e do pianista; a ritmicamente dançante Secrets (9m45), com solo particularmente notável de Rava.

Lovano, por sua vez, assina Divine timing (9m55) e Fort Worth (12m30) – esta uma intensa, dinâmica e bem free troca de ideias entre os dois principais solistas que chega a lembrar os “vôos” da dupla Ornette Coleman-Don Cherry nos idos vanguardistas de 1960.

A última faixa,a mais longa (18m50) da setlist, é um medley baseado em três temas: Drum song com introdução do baixo de Dezron Douglas e Lovano soprando o tarogató (uma espécie de clarinete de origem húngara); Spiritual, de John Coltrane; Over the rainbow, a imortal balada de Harold Harlen.

(Samples do álbum Roma em: https://www.prostudiomasters.com/featured/genre/jazz/new#quickview/album/40963)


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