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Darius Brubeck ao vivo na Polônia

Quarteto do também pianista filho de Dave relembra data histórica

The Darius Brubeck Quartet / Crédito: Divulgação/Rob Blackham

Os filhos do canonizado pianista-compositor Dave Brubeck (1920-2012) são também jazzmen da ‘‘Primeira Liga’’. Mas o pianista Darius, o baixista/trombonista Chris e o baterista Dan nunca tentaram evitar o epíteto de ‘‘filhos de…’’. Pelo contrário, em 1973 – quando o mais velho Darius tinha 26 anos – eles gravaram com o pai o álbum Two Generations of Brubeck (Atlantic). Chris e Dan continuam a se apresentar nos clubes e festivais do mundo todo à frente do Brubeck Brothers Quartet, que é completado por Mike DeMicco (guitarra) e Chuck Lamb (piano).

O primogênito de Dave, contudo, teve uma carreira bem peculiar. Ele se casou com Cathy Morphet, sul-africana que vivia nos Estados Unidos, e acabou convidado para dirigir o curso de Jazz Studies da Universidade de Durban. O casal fixou-se na África do Sul em 1983, e viveu intensamente a luta liderada por Nelson Mandela para sepultar o ignominioso Apartheid. Na terra de jazzmen de reputação internacional como o pianista Abdullah Ibrahim e o trompetista Hugh Masekela, Darius criou e dirigiu uma banda com a marca registrada de ‘‘Afro cool concept’’.

Em 2005, ele e a mulher (também sua manager) decidiram morar em Londres, onde o pianista, compositor e professor formou um quarteto com os ingleses Dave O’Higgins (sax tenor) e Matt Ridley (baixo), mais o baterista sul-africano Wesley Gibbons.

Agora – na passagem para o ano em que se celebra o centenário de Dave Brubeck – o selo inglês Ubuntu Music editou um ótimo registro desse quarteto de Darius Brubeck. Trata-se de um set, ao vivo, gravado no clube Blue Note, em Poznan, Polônia, em 2018. E numa comemoração muito significativa: o 60º aniversário da apresentação do Dave Brubeck Quartet (com Paul Desmond no sax alto) naquele país, na primeira vez em que um conjunto de jazz conseguiu furar a ‘‘Cortina de Ferro’’ também cultural imposta pela então União Soviética aos seus ‘‘satélites’’.

The Darius Brubeck Quartet Live in Poland tem quase uma hora de música em sete faixas, das quais a mais intensa e mais longa (quase 10 minutos) é uma versão de Take five (o principal hit do repertório do quarteto original de Dave Brubeck, e que não foi composta por ele, mas pelo saxofonista Paul Desmond). Da pena do seu pai, o pianista-líder Darius escolheu a romântica In your own sweet way (9m25) e Dziekuje (6m40), que quer dizer muito obrigado em polonês, e foi escrita pelo papai especialmente para aquele público que foi ouvi-lo, naquele histórico ano de 1958, em Varsóvia e seis outras cidades da Polônia.

Das três composições de Darius a mais impactante é Earthrise (8m55), em 7/4, desenvolvida num clima melódico-harmônico que remete ao imortal quarteto de John Coltrane-McCoy Tyner. As outras são a animada Matt the cat (4m50) e a mais bluesy, meditativa, Sea of troubles (9m50), com realce para o sax de Higgins. Há ainda um tema de Hugh Masekela, Nomali (8m45), com um solo-homenagem do pianista a Abdullah Ibrahim de mais de três minutos.

Formado há 12 anos, o quarteto liderado pelo primogênito de Dave Brubeck é primoroso. O saxofonista Dave O’Higgins, 55 anos, é um dos mais respeitados jazzmen da Inglaterra, exibindo uma discografia de 20 itens como líder, desde 1993. A seção rítmica propriamente dita (Ridley e Gibbons) está, é claro, à altura dos principais solistas.

(Samples deste álbum em: https://music.apple.com/br/album/live-in-poland/1488205197?app=music&ign-mpt=uo%3D4)


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