Jazz

Desde 1939

Blue Note: Há 80 anos gravando “The finest in jazz”

No último referendo anual publicado pela revista Downbeat a etiqueta ficou em terceiro na categoria melhor record label

Crédito: divulgação

Em janeiro de 1939, num estúdio alugado, o produtor Alfred Lion (1908-87) gravou, em discos de 78 r.p.m, 19 takes dos pianistas Albert Ammons (1907-49) e Meade Lux Lewis (1905-64), mestres do boogie-woogie – aquele estilo bluesy, fortemente sincopado, surgido na chamada Harlem Renaissance. Estava fundada a Blue Note Records que, 80 anos depois, continua a se apresentar como “The finest in jazz since 1939”.

No último referendo anual dos mais respeitados críticos de jazz do mundo todo, publicado pela revista Downbeat (agosto de 2018), a etiqueta ficou em terceiro lugar na categoria melhor record label, atrás da ECM e da Pi Recordings, à frente de gravadoras especializadas também do primeiro escalão, como a Motéma, a Mack Avenue, a Sunnyside e a Resonance. E não se pode negar que o histórico selo continua a ser uma referência fundamental na arte do jazz – de anteontem, de ontem e de hoje.

No início, o selo branco e azul produziu os registros antológicos dos patriarcas Sidney Bechet, James P. Johnson e Earl Hines. Em seguida, lá em 1947, Lion e seu sócio Francis Wolff (1908-71) – também um grande fotógrafo da jazz scene – produziram os primeiros discos de Thelonious Monk e da dupla Tadd Dameron-Fats Navarro, depois reeditados em LP e CD (Genius of Modern Music The Fabulous Fats Navarro, respectivamente).

Nas décadas de 1950 e 1960, a etiqueta foi a marca por excelência do chamado hard bop e dos albores do free jazz. Citem-se, entre outros, os seguintes álbuns: Newk’s Time e os dois volumes de A Night at the Village Vanguard, de Sonny Rollins; Something Else, do quinteto de Julian Cannonball Adderley, com Miles Davis; Moanin’, dos Jazz Messengers de Art Blakey, com Lee Morgan (trompete) e Benny Golson (sax tenor); Go!, do saxofonista Dexter Gordon; Maiden Voyage, de Herbie Hancock; Juju e Speak no Evil, de Wayne Shorter; Blue Train, de John Coltrane; Unit Structures e Conquistador de Cecil Taylor; Out to Lunch, de Eric Dolphy; os dois volumes de Ornette Coleman, ao vivo, no Golden Circle de Estocolmo (1965).

Em 1979, a Blue Note, foi vendida à Capitol, e ficou mais ou menos em ponto morto, dedicando-se a promover lançamentos de material antigo ainda inédito ou novas edições de registros já famosos. Em 1985, Bruce Lundvall ressuscitou o histórico selo, renovando o seu plantel com jazzmen então na faixa de 30-40 anos que se tornavam estrelas, como os saxofonistas Joe Lovano, Greg Osby e Javon Jackson, o guitarrista John Scofield, o pianista Gonzalo Rubalcaba e o trompetista Terence Blanchard. E também prestigiando vocalistas de “espectro mais amplo” como Bobby McFerrin, Dianne Reeves e Cassandra Wilson.

Aos 80 anos, a Blue Note continua a ser marca mais do que referencial. Como registrou esta coluna (29/12/2018), o álbum triplo Emanongravado e lançado para celebrar os 85 anos do saxofonista-compositor Wayne Shorter, lenda viva do jazz, liderou a aguardada lista dos “Top releases” de 2018 da Jazz Times. Os principais reviwers da influente revista especializada incluíram ainda nesse rol, entre os 10 primeiros colocados, outros dois discos da Blue Note: Origami Harvest, do trompetista new star Ambrose Akinmusire, o segundo mais votado; Concentric Circles, do veterano mestre do piano Kenny Barron, à frente de um quinteto com Dayna Stephens no sax tenor, que chegou em quarto lugar.

(Uma seleção de samples com faixas de álbuns relevantes da Blue Note pode ser ouvida em:

itunes.apple.com/us/playlist/blue-note-80-the-finest-in-jazz-since-1939/pl.4e3d25ede18c4cd88f1ee51a3a608860)


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