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‘Arqueologia’: Thelonious Monk e Art Blakey em registros inéditos

Impulse e Blue Note recuperam e lançam gravações de 1968 e 1959, respectivamente

Thelonious Monk
Thelonius Monk é entrevistado na Nova Zelândia em 1965 / Crédito: Archives New Zealand

O jazz tem uma história já centenária e só pode ser compreendido, assimilado e devidamente apreciado por quem se disponha a empreender, de vez em quando, “expedições arqueológicas” com base no seu registro por excelência, o disco.

Assim é que merecem especial destaque os lançamentos, quase simultâneos, de gravações inéditas de dois jazzmen há muito canonizados: Thelonious Monk (1917-1982) e Art Blakey (1919-1990). Respectivamente: Palo Alto (Impulse), com o quarteto do genial pianista-compositor tocando numa high school daquela cidade da California, em outubro de 1968; Just Coolin’ (Blue Note), sessão de um dos quintetos (os Jazz Messengers) do inesquecível baterista, gravada no estúdio “sagrado” de Rudy Van Gelder, em New Jersey, em março de 1959.

apresentação de Thelonious em Palo Alto foi uma iniciativa do então estudante Danny Scher, que tinha apenas 16 anos. Ele se tornou depois um produtor musical bem conhecido na West Coast, mas só mais recentemente é que redescobriu o tape do concerto, e conseguiu a necessária licença do baterista T.S. Monk (filho de Thelonious) para tratar com a Impulse da edição do CD.

T.S. considerou a descoberta “uma das melhores gravações ao vivo de Thelonious que já ouvi”. E acrescentou: “Eu nem sabia que meu pai tinha se apresentado numa high schoolMas ao ouvir o tape pela primeira vez, senti – desde os primeiros compassos – que ele estava realmente muito bem”.

O quarteto do grande Thelonious, naquela época, era integrado pelo sempre fiel Charlie Rouse (sax tenor) mais Ben Riley (bateria) e Larry Gales (baixo). Ou seja, o mesmo que gravara para o selo Columbia, em dezembro de 1967, o antológico LP Underground.

Palo Alto contém mais de 45 minutos de música, em seis faixas, das quais quatro são veneradas composições do “High Priest of Bebop”: Ruby my dearWell, you needn’tBlue MonkEpistrophy. Naquela noite, na cidade da California, Thelonious selecionou ainda dois standards: Don’t blame me I love you

CD Just Coolin’, por sua vez, foi gravado há mais de 60 anos, com a formação dos Messengers de Blakey que incluía Lee Morgan (trompete), Hank Mobley (sax tenor), Bobby Timmons (piano) e Jymie Merritt (baixo). A “cátedra” do saxofone tinha sido ocupada até então por Benny Golson, e Wayne Shorter ainda não tinha chegado. Mas o também cultuado Hank Mobley – que integrara a primeira escalação dos Messengers – estava, aos 29 anos, no ápice da sua carreira.

Das seis faixas desse achado precioso, tres são composições de Mobley: a faixa-título (8m40), Hipsippy blues (6m40) e M&M” (6m) – estes dois emes referentes ao próprio saxofonista e ao trompetista Morgan, sempre hipnóticos nos seus solos. O pianista Bobby Timmons – estrela do soul jazz, apesar da sua curta vida (1935-1974) – contribui com Quick trick (4m40). Completam a setlistClose your eyes (6m25), standard da década de 1930, e Jimerick (6m20), de autor desconhecido.

A faixa-título de Just Cooiin’ pode ser ouvida abaixo:

(O lançamento de Palo Alto previsto para a data de hoje foi adiado, ainda sem nova data marcada)


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