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Arqueologia jazzística: Louis Armstrong live in Europe, 1948

Dot Records lança álbum com os All Stars de ‘Satchmo’ no primeiro Festival de Nice

Louis Armstrong / Crédito: Library of Congress

Sabem os jazzófilos exigentes que os pontos culminantes da discografia ao vivo de Louis Armstrong (1901-1971), no ápice de sua gloriosa carreira e à frente do sexteto ‘‘All Stars’’, são dois concertos históricos: o de 17 de maio de 1947, no Town Hall de Nova York (RCA); o de 30 de novembro daquele mesmo ano no Symphony Hall de Boston (Decca). Sobretudo o magnífico concerto de Boston, com o conjunto que incluía Jack Teagarden (trombone), Barney Bigard (clarinete), Dick Cary (piano), Arvell Shaw (baixo) e ‘‘Big’’ Sid Catlett (bateria). São inesquecíveis as versões instrumentais de Muskrat ramble, Royal Garden blues e ‘‘C’’ jam blues, assim como o vocal de ‘‘Satchmo’’ em Black and blue.

Assim é que merece recomendação especial o lançamento pela Dot Time Records, na sua Legend Series, de gravações até então inéditas de apresentações de Louis Armstrong e seus ‘‘All Stars’’ em dois sets do primeiro Festival de Jazz de Nice (França), em 22 e 23 de fevereiro de 1948. Ou seja, lá se vão mais de 70 anos. E com a mesma formação daqueles registros antológicos de Nova York e de Boston, com uma exceção ainda mais atraente: o imortal Earl Hines ao piano, no lugar de Dick Cary.

A ‘‘descoberta arqueológica’’ da Dot, intitulada Louis Armstrong Live in Europe, é um ‘‘álbum’’ de 16 faixas, num total de uma hora e oito minutos. As nove primeiras faixas é que são as preciosidades do Festival de Nice de 1948 aqui destacadas. As outras sete foram gravadas num concerto em Berlim, em outubro de 1952. São também muito atraentes, mas os acompanhantes de ‘‘Satchmo’’ (com exceção do baixista Arvel Shaw) já eram outros (Bob McCracken, clarinete; Trummy Young, trombone; Marty Napoleon, piano; Cozy Cole, bateria).

Os temas tocados (ou retocados) lá em Nice incluem Muskrat ramble (3m40), Royal Garden blues (5m05) e Black and blue (3m45). Os outros pratos do menu são: Rockin’ chair (2m45), Rose room (3m40), Panama (4m25), On the sunny side of the street (6m), Mahoganny Hall stomp (3m30) e Them there eyes (4m20).

O comandante da Dot Time Records, Jerry Roche, lembra que o Festival de Nice de 1948 foi o primeiro festival internacional de jazz relevante. E acrescenta: ‘‘Foram também as primeiras apresentações de Armstrong na Europa depois da 2ª Guerra Mundial. Ele reafirmou o poder da música que fazia ao vivo para uma audiência sedenta, marcando ainda a continuação do seu papel de embaixador global do jazz’’.

Em suma, Louis Armstrong Live in Europe é uma prazerosa visita ao passado. E deve ser feita pelo jazzófilo que não vive no e do passado. Mas que curte visitar o passado quando vale a pena.

(Quem não tem acesso ao Spotify pode ouvir samples deste álbum em: https://www.amazon.com/Live-Europe-Louis-Armstrong/dp/B07VVSBPSB)


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