Jazz

jazz substantivo

Antonio Adolfo: Memórias do “Beco das Garrafas”

Sexteto do pianista-compositor lança Samba Jazz Alley

Foto: divulgação

Os cariocas mais idosos afinados com o jazz e que acompanharam de perto o florescer da bossa nova lembram-se muito bem do Beco das Garrafas – aquela ruela sem saída da Rua Duvivier, Copacabana, onde no início da década de 1960 podiam ser ouvidos ao vivo, no Little Club ou no Bottles, o Tamba Trio de Luizinho Eça ou o Bossa Rio do também pianista Sérgio Mendes.

Quem costumava dar “canja” no Little Club era o saxofonista (soprano) Booker Pittman (1909-1969), ex-sideman de Louis Armstrong,que virou carioca depois de conhecer a bela Ophelia, tornando-se também pai adotivo da cantora Eliana Pittman.

Pois reverenciado pianista, arranjador e professor Antonio Adolfo, nascido no Rio há 72 anos, frequentou o Beco, conviveu até tocou com as estrelas então em ascensão da bossa nova e do samba jazz (ou do jazz samba). Quando tinha apenas 16 anos ele participou do conjunto 3-D, que interpretou a música de Carlos Lyra (texto de Vinicius de Moraes) na montagem de Pobre Menina Rica no lendário Teatro de Bolso.

Recordando, vejo o Bottles como a mais importante academia da minha vida. Samba Jazz Alley é o meu tributo àqueles dias (e noites) e a alguns músicos que me inspiraram no decorrer da minha carreira” – comenta Antonio Adolfo a propósito do lançamento neste mêspelo seu selo AAM, deste novo álbum, no qual lidera um “timaço” integrado por Jesse Sadoc (trompete), Marcelo Martins (saxes, flauta), Rafael Rocha (trombone), Rafael Barata (bateria), Jorge Helder (baixo) e Lula Galvão (guitarra). Aparecem ainda como convidados, em algumas faixas, Dada Costa (percussão), Serginho Trombone, Maurício Einhorn e Gabriel Grossi (gaitas) e Claudio Spiewak (guitarra).

Dos nove temas da setlist os mais conhecidos são os dois últimos, de Tom Jobim: Passarim (5m35) e Corcovado (5m45), este com especial destaque para o flugelhorn de Sadoc. O pianista-arranjador e líder selecionou ainda do “livro” da bossa nova: Céu e mar (6m05), de Johnny Alf; Só por amor (5m10), de Baden Powell; Casa Forte(4m30)de Edu Lobo; Tristeza de nós dois (5m10), de Maurício Einhorn, com o autor e o também convidado Gabriel Grossi; The frog (3m35), de João Donato, emdestaque a participação especial de Serginho Trombone.

Da sua lavra, Antonio Adolfo apresenta duas peças: Obrigado (5m40) Hello, Herbie (6m40) – esta última uma homenagem a Herbie Hancock, naquele mesmo clima envolvente, dançante, que remete a Watermelon man e a Cantaloupe Islandcomposições do celebrado pianista-compositor que se tornaram jazz standards.

Como está bem claro no título do novo álbum de Adolfo, Samba Jazz Alley (“Beco do Samba Jazz”) é uma sessão de alto nível técnico-criativo de samba jazze não de jazz samba. Ou seja, é jazz substantivo – com muito espaço para a improvisação – adjetivado pela temática e pelo balanceio daquele “samba de câmera” que nasceu em Copacabana, e foi apresentado ao mundo musical no Carnegie Hall de Nova York, lá se vão mais de 50 anos.

(Samples do álbum em: music.apple.com/br/album/samba-jazz-alley/1472547969)


Faça o cadastro gratuito e leia até 10 matérias por mês. Faça uma assinatura e tenha acesso ilimitado agora

Cadastro Gratuito

Cadastre-se e leia 10 matérias/mês de graça e receba conteúdo especializado

Cadastro Gratuito