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A hora e a vez de Micah Thomas

Pianista-compositor de 23 anos lança primeiro álbum como líder

Micah Thomas
Micah Thomas / Crédito: Anna Yatskevich/Reprodução YouTube

Em matéria de pianistas o talk of the town na capital mundial do jazz é Micah Thomas. Ele tem apenas 23 anos, e chegou a Nova York em 2015, vindo de Columbus, Ohio, premiado que foi com uma bolsa de estudos na mais do que afamada Juilliard School of Music. No início do corrente ano recebeu o cobiçado diploma de Master.of Music. Já era então bem conhecido no milieu como sideman, por apresentações em clubes de Manhattan e como convidado da Lincoln Center Jazz Orchestra de Wynton Marsalis..

Em março do ano passado, o trio de Thomas (Dean Torrey, baixo; Kyle Benford, bateria), apresentou-se no bar do Hotel Kitano, situado na Park Avenue, e onde só tocam pequenos conjuntos de jazz de “qualidade comprovada” atestada por experts. O pianista encomendou a Jimmy Katz a gravação dos dois sets daquela noite, e produziu por sua conta um álbum de pouco mais de uma hora, intitulado Tide, a partir de oito composições originais, incluindo a faixa-título.

Este primeiro registro fonográfico do trio do emergente pianista-compositor – disponível nas plataformas virtuais já há dois meses – teve uma recepção mais do que calorosa por parte da crítica especializada. E vale a pena reproduzir a reação de dois jazz writers de prestígio.

Nate Chinen, da National Public Radio (NPR), escreveu que o álbum “introduz um artista de facilidade técnica soberba, com algo ainda mais impressionante – um profundo conhecimento da linhagem marcante do moderno jazz piano e uma determinação juvenil de não ser flagrado refazendo os passos de quem quer que seja”.

Na New York Review of Books, Adam Shatz comentou: “Thomas não está tentando reinventar o piano trio, mas apenas mostrar que tem luz própria (…) Tide é uma obra exemplar – não apenas de improvisação por pequenos conjuntos, mas particularmente do que se poderia chamar de small-room jazz (…). Move-se, do ínicio ao fim, de maneira casualmente inventiva, num fluir espontâneo e ao mesmo tempo inevitável e surpreendente”.

Desenvolvida em takes que vão de 5m35 (Tornado) a 10m15 (The game) a temática muito original do álbum tem fontes bem diversas. The game, por exemplo, é inspirada no quarto movimento da Sinfonia nº 6 de Mahler, em variações rítmicas contrastantes. Grounds (8m50) remete ao pianismo do grande Keith Jarrett. A arte da interpretação jazzística da balada é cultivada em The day after (6m20) e Across my path (6m35).

(Ouvir faixas em: https://jazztrail.net/blog/micah-thomas-tide-album-review )


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