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A retomada dos trens de médio percurso em São Paulo

1ª linha a ser estruturada no plano é o Trem Intercidades (TIC) SP – Campinas, com apenas uma parada em Jundiaí

trens de médio percurso
Foto: Alexandre Carvalho/A2img/ Fotos Públicas

O desenvolvimento econômico e territorial do estado de São Paulo foi fortemente impulsionado pelo transporte ferroviário, que teve seu início no auge da cultura cafeeira, marcado pela da implantação da via férrea que conectava o Porto de Santos à Jundiaí. A São Paulo Railway Company, a primeira ferrovia de São Paulo, foi financiada, implantada e operada pelos ingleses desde sua inauguração, datada de 1867, até 1946 passando, a partir de então, a ser denominada como Estrada de Ferro Santos-Jundiaí.

Na esteira da efervescência trazida pelo cultivo do café, ainda no século XIX surgiram outras três importantes ferrovias: a Paulista, a Sorocabana e a Mogiana. Com isso, o Estado de São Paulo chegou a contar com mais de 5.000 quilômetros de trilhos, sobre os quais trafegavam cargas e passageiros, oferecendo conexões de médio e longo percurso em praticamente todo território paulista. Contudo, o fortalecimento da matriz rodoviária teve como resultado a queda na demanda pelo transporte ferroviário e por consequência a desativação de diversas ligações, em todos os casos motivada por uma arrecadação incapaz de garantir o sustento das operações.

Apesar do notado encolhimento, o legado deixado pelas ferrovias contribuiu de maneira fundamental para o crescimento de São Paulo, e seus efeitos podem ser observados até hoje. Em 2013, um estudo sobre a Macrometropole Paulista, realizado pela CPTM demonstrou a saturação na infraestrutura rodoviária atualmente disponível nos eixos mais consolidados, sendo o vetor norte – São Paulo, Jundiaí, Campinas e Americana – aquele com maior carregamento. Não limitado a este, foi identificada viabilidade de ligações férreas em outros 3 vetores: Vale do Paraíba, Baixada Santista e Sorocaba.

Com isso, desde 2012 o Governo do Estado de São Paulo busca estruturar um plano para reestabelecimento de uma rede ferroviária de média distância, capaz de conectar Regiões Metropolitanas e Aglomerados Urbanos. A primeira linha a ser estruturada neste plano é o Trem Intercidades (TIC) São Paulo – Campinas, de carácter expresso com apenas uma parada na cidade de Jundiaí. Este corredor já conta com um serviço consolidado de transporte rodoviário de passageiros, baseado em ônibus regulares, fretados e automóveis, mas que, por sua natureza, estão suscetíveis a influências externas no tráfego que podem impactar negativamente na rapidez e regularidade do serviço.

O transporte ferroviário, por outro lado, trafega em vias exclusivas, sendo pouco sensível a perturbações, o que o permite oferecer maior pontualidade, regularidade e segurança. Contudo, para que seja competitivo, este novo serviço deve, sobretudo, oferecer tempo de viagem igual ou inferior aos demais modais. Por isso, toda infraestrutura de circulação tem sido dimensionada para que o percurso entre São Paulo e Campinas seja percorrido em cerca de 60 minutos, considerando trens com velocidade máxima de 140 km/hr e um padrão de conforto que contempla marcação antecipada de assentos e serviço de bordo.

Para viabilizar este projeto, o Governo de São Paulo, em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento – BID, busca a participação do setor privado por meio de Concessão Patrocinada, que abrangerá não somente os investimentos para a implantação do Trem Intercidades, como também a criação de uma nova conexão metropolitana sobre trilhos, denominado Trem Intermetropolitano – TIM, entre os municípios de Francisco Morato e Campinas, além da modernização, operação e manutenção da atual Linha 7 – Rubi, atualmente sob gestão da CPTM.

O plano de vias se desenvolve majoritariamente na faixa de domínio ferroviário, com via exclusiva para o Trem Intercidades e pátios de cruzamento ao longo do percurso, permitindo o máximo aproveitamento da infraestrutura existente e minimizando a necessidade de desapropriações. Em paralelo, o projeto contempla ainda a segregação completa do transporte de cargas, resultando em aumento na capacidade de escoamento e menor interferência com o transporte de passageiros.

Como forma de apoiar o fluxo financeiro do projeto, a inserção da Linha 7 – Rubi, que conta com uma demanda superior a 450.000 passageiros em dias úteis, trará folego importante nos primeiros anos da concessão, período intensivo em investimentos para implantação do TIC. Foram, ainda, identificadas áreas no entorno do traçado com potencial mercadológico para a exploração comercial e desenvolvimento de empreendimentos associados.

O Trem Intercidades São Paulo – Campinas marca a retomada do transporte de médio percurso sobre trilhos em um cenário de redefinição da mobilidade nos grandes centros urbanos ao redor do mundo, fortemente impulsionada por diretrizes de sustentabilidade, utilização de energia limpa e redução dos impactos socioambientais. Os efeitos produzidos no longo prazo incidem, ainda, sobre o resultado econômico decorrente do aumento na produtividade e integração territorial e na qualidade de vida dos cidadãos.

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