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Seja mais do que técnico, seja mais do que ‘apenas’ advogado

Nos departamentos jurídicos das empresas esse caminho está cada vez mais solidificado

Advocacia
Crédito: Pixabay

Um dos grandes dilemas do advogado que trilha o caminho corporativo é o ‘ponto ideal’ entre o técnico jurídico e a realidade corporativa. Falso dilema! Somos advogados sim, e queremos ser reconhecidos como excelentes profissionais nesse campo, mas é preciso saber que as empresas valorizam quem vai mais longe.

Essa questão, que é de fato muito séria e importante, está superada! O mundo corporativo não tem lugar para técnicos puros na alta gestão. As empresas querem e precisam de mais.

Assim como em várias outras carreiras e profissões, também no caso do advogado, a excelência técnica é pré-requisito e fundamental, mas não basta.

No começo (primeiros anos da vida adulta), todos buscam no profissional as respostas que se imagina que ele tenha conseguido nos estudos iniciais, nos livros e professores que o levaram a estudar e a decorar fórmulas, conceitos, regras, teorias… Mas com o passar dos anos, numa vida de sucesso e crescimento, as perguntas (e toda sorte de desafio e questionamento) vão mudando, e se tornando cada vez mais complexas e profundas, cada vez mais fora do padrão (e da “caixa”). O técnico já não tem respostas e já não resolve.

Com o passar dos anos, vai “surgindo” o diferencial entre as pessoas que, por exemplo, estudaram na mesma faculdade e até na mesma classe. Pessoas “teoricamente com a “mesma formação” são iguais? Todas serão brilhantes? NÃO!

Ainda que a carreira padrão tenha suas bases, são os que efetivamente se destacam, e vão além, que encantam chefes, presidentes e acionistas.

Entre outros aspectos, diferenciais comportamentais, as ideias de cada um, a energia, o exemplo, as motivações é que vão (com o tempo) alocando nas empresas os líderes e os liderados…

Além das chamadas horas de voo (anos e anos de conhecimento e experiência acumulados), são as competências globais e cruzadas, além das holísticas e comportamentais, as não tradicionais e padronizadas, que vão correlacionando a sabedoria humana e fazendo a diferença. São os que conseguem “pensar, executar e entregar” muito além da média e do “normal” que realmente geram valor.

São essas competências diretoras que ajudam as equipes e as empresas a alcançar resultados, num mundo cada vez mais competitivo, diverso, inovador, desafiador e complexo.

Aprendemos na escola o conceito das condições necessárias, mas não suficientes, e a carreira do jurídico corporativo é um exemplo que já se torna clássico na linha do “é fundamental, mas não resolve”.

A excelência técnica jurídica para o profissional que se pretende destacar e subir na empresa, tem ficado cada vez mais nos primeiros degraus da carreira, e sua importância vai diminuindo (embora seja fundamental!) à medida em que as promoções chegam.

Na base da pirâmide corporativa cada vez mais as empresas buscam grandes talentos, profissionais vindos das melhores escolas, que sejam brilhantes em suas áreas etc. Mas com o passar dos anos e o crescimento na carreira, as competências chave vão mudando. O aspecto técnico jamais poderá ser esquecido, mas vai deixando de ser diferencial – é apenas obrigação!

Um advogado brilhante nos aspectos técnicos sempre será reconhecido, mas se não for muito mais do que isso, dificilmente se destacará nos andares mais altos da carreira corporativa.

Uma das provas disso é o próprio nome do cargo, que com o passar dos anos (e o “subir da escada”) torna-se mais geral, e vai se afastando de uma profissão específica.

Já na diretoria, muitas vezes, nem mesmo designação específica existe no cartão de visitas, pois o “que conta” é o conhecimento no negócio e na empresa, e a capacidade de liderar e entregar resultados. E para os candidatos à gestão geral, presidência e conselho, é crescente essa constatação.

Esse tema vem se tornando ainda mais importante com a constatação de que as empresas precisam muito de criatividade, inovação e diversidade, que necessariamente fogem das regras e dos limites puramente técnicos.

O que de fato diferencia as empresas, e as torna mais rentáveis e valiosas, é o “fazer diferente” (com o perdão da licença poética do termo), fazer o que ninguém faz, ou da forma que ninguém faz (tanto para produtos quanto para serviços) – ou seja, é o que vai muito além do técnico (que a todos é acessível). O que “todo mundo sabe ou faz” não agrega, não vende, não seduz…

Para profissionais (do Direito ou outros) que adoram os aspectos puramente técnicos e profundos da sua profissão, certamente haverá espaço e possível sucesso na área de pesquisa e acadêmica, assim como em consultorias especializadas (escritórios de advocacia por exemplo – especialmente os super especializados e pareceristas), mas dificilmente nas posições de liderança corporativas.

Em algum momento da sua carreira você terá que escolher (e pode valer a pena escolher fazer isso, antes que façam por você) entre seguir com “apenas” a excelência técnica, ou agregar novos e mais aspectos, mais competências e “diferenciais” efetivos ao profissional que você é.

Nos departamentos jurídicos das empresas esse caminho está cada vez mais solidificado, o que permite que a escolha do advogado corporativo seja bem mais embasada em probabilidades e no que se busca para “o futuro”.

Procure, portanto, no mundo corporativo, conseguir sim a excelência técnica, e quanto mais cedo melhor; e mantenha-se atualizado – mas lembre-se de adquirir outros conhecimentos e competências (em especial que sejam do interesse do mundo corporativo, com foco total nos segmentos mais importantes para você) ao longo dos anos.

Esqueça o técnico-puro se você pretende alcançar posições de “comando/liderança” em empresas, pois o que de fato “faz a diferença” é o que não está nos livros.

Optando pela carreira jurídica corporativa, após a conquista da excelência puramente técnica, “seja mais do que advogado”, seja um executivo que “faça a diferença” na empresa!

Esse é um dos temas que a atual realidade dos departamentos jurídicos inovadores mais demanda, e que mais se estuda e debate nos diversos foros que já temos no País.

Procure conhecer mais. Pode ser útil a você, e a sua equipe!


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