Departamentos Jurídicos

Empresas

O Museu Nacional, a Catedral de Notre-Dame e os departamentos jurídicos

Todo ‘acidente’ deve gerar aprendizado, e apontar formas de se evitar que aconteça novamente

Catedral de Notre-Dame, em Paris, antes do incêndio. Imagem: Pixabay

Tanto o incêndio e a destruição do Museu Nacional no Rio de Janeiro quanto o da Catedral de Notre0Dame em Paris chocaram o mundo. E são desastres (não naturais) irreparáveis. Nos dois caso, é praticamente impossível aceitar que tenham sido “acidentes”. A importância dessas duas “maravilhas da humanidade”, e do acervo de ambas, falam por si só, e justificam a tristeza que causaram em todos.

Passados os respectivos choques (embora jamais nos conformemos com esses incidentes, e lamentemos eternamente a sua ocorrência), torna-se necessário avaliar o que aconteceu, e por quê. E perceber o que se deve aprender com essas tragédias. Todo “acidente” deve gera aprendizado, e apontar formas de se evitar que aconteça novamente.

A primeira constatação decorrente de uma rápida análise/reflexão é no sentido de que foram tragédias evitáveis, e, portanto, não se pode culpar a natureza e nem isentar “a nós todos” (sociedade em geral). E a segunda é que os incêndios decorreram de, e incluíram, uma enorme série de erros. Erros terríveis e que geraram perdas incalculáveis e irreparáveis! Seja na falta de manutenção, seja na deficiência de equipamentos e pessoal, ou ainda na irresponsabilidade e na negligência com patrimônios culturais, e históricos, dessa monta, a urgência do aprendizado é gritante.

Tragédias evitáveis são, de certa forma, inaceitáveis, pois simplesmente não poderíamos ter permitido que ocorressem. São, também, motivo de vergonha extrema. Vemos um grande paralelo entre esse tema e a realidade dos departamentos jurídicos nas empresas, assim como a importância do aprendizado.

O cuidado e a responsabilidade devem ser traços presentes no trabalho de todos nós, assim como a melhor técnica e as melhores ferramentas disponíveis. Separar o que de fato é acidente do que é irresponsabilidade e falta de cuidado nos parece ser fundamental e o ponto de partida.

A “simples” identificação das duas situações e a firmeza na condução dos temas que forem “evitáveis” já reduzirá sobremaneira os acidentes e os danos (assim como os custos totais).

Na linha da gestão de riscos e da prevenção de crises, temos nas empresas, assim como na vida e na natureza, os acidentes/desastres inevitáveis, para os quais em geral só se consegue uma certa preparação para remediar danos (rapidez e qualidade da resposta, equipes e equipamentos de salvamento etc – conforme o caso), mas no caso dos “previsíveis”/”evitáveis” temos obrigação de atuar preventivamente.

Muitas vezes, existe legislação aplicável, mas tenta-se “burlar” laudos, verificações, licenças e autorizações, ignora-se normas e cuidados básicos, encontra-se “caminhos” mais fáceis (mas que são irregulares e até fraudulentos), tenta-se corromper/subornar autoridades etc., que além de serem atitudes frequentemente criminosas, são absolutamente desastrosas.

Fiscalização falha, ineficaz, ou “vendida” apenas atrapalha e é vergonhosa – devendo ser banida do planeta. Em muitos casos podem haver erros de concepção, de projeto, ou de implantação, mas em vários outros surgem os fantasmas da “economia burra”, do corte de custos irresponsável, da falta de manutenção, das “falsas urgências” que atropelam os cuidados efetivamente necessários, das burlas à legislação e aos procedimentos de segurança, entre outros. Um dos pontos que mais podem gerar situações como essas nos departamentos jurídicos, e que geralmente decorrem do corte irreal ou irresponsável de custos, está na “economia burra” – que por vezes passa pela terceirização de trabalhos sem critérios, ou baseada apenas no preço.

Desprezar a importância da qualidade, de projetos, de produtos, de serviços, de profissionais etc é não apenas errado como irresponsável. E sempre custa mais caro!

Muitos colegas se esquecem de que a terceirização, ou delegação, não pode significar “delargação”!! E se esquecem, também, que a terceirização ocorre somente no campo das tarefas, mas não no da responsabilidade. Os riscos que muitas empresas correm (no caso em tela, os departamentos jurídicos, num primeiro momento) podem ser muitíssimo reduzidos se forem estabelecidos cuidados e parâmetros, diretrizes claras que impliquem em “fazer bem feito”. Tanto a responsabilidade quanto a diligência são fundamentais nesses casos, para que se cuide dos bens em questão com todo efetivo afinco.

Nos incêndios mencionados, são evidentes a falta da manutenção e de cuidados, e é frequente que se veja mais ou menos a mesma situação em exemplos de terceirização mal feita e baseada apenas em economia financeira. Além de ser de fato uma atitude seríssima e condenável, é extremamente irresponsável e perigosa. E que nos casos em que a crise (o incêndio) surge, não adianta chorar e lamentar.

Escolher produtos e mão de obra adequada, bons projetos, bons equipamentos, praticar a boa manutenção de forma antecipada, avaliar riscos e cenários etc, no caso dos mencionados monumentos, é tão fundamental e critica quanto escolher prioridades, alocar recursos de forma realista e coerente, e selecionar parceiros, no caso dos departamentos jurídicos.

Planeje, avalie com critério, conheça bem a situação e o cenário, faça uma adequada alocação de recursos, e trace uma estratégia de atuação responsável e diligente, em tudo o que você fizer no seu trabalho. E saiba que, ainda que num primeiro momento talvez pareça ser uma certa perda de tempo ou de dinheiro, sendo bem feito, o resultado será sempre mais adequado e terá valido a pena.

Focando no que pode ser bem cuidado, reduzindo riscos desnecessários, antecipando-se a acidentes e crises evitáveis, no departamento jurídico, todos estarão mais seguros e conseguirão melhores resultados. Evitemos a dor, a tristeza, o choque e a vergonha de “acidentes” evitáveis por irresponsabilidade, por pressa, por “jeitiinho”, por desvios de conduta e pela já citada “economia burra”.

Passe um “pente fino” no seu departamento, nos assuntos a seu cargo, no volume de trabalho existente e trace um plano de ação consciente, e bem fundamentado e detalhado, que metaforicamente, evite incêndios, catástrofes e choro. Permita que os acidentes que ocorrerem na sua empresa sejam realmente acidentes. Conheça mais sobre esse tema, e sobre as melhores práticas da advocacia corporativa atualmente utilizadas no Brasil. Pode ajudar muito o seu trabalho e a sua carreira.


Faça o cadastro gratuito e leia até 10 matérias por mês. Faça uma assinatura e tenha acesso ilimitado agora

Cadastro Gratuito

Cadastre-se e leia 10 matérias/mês de graça e receba conteúdo especializado

Cadastro Gratuito