Departamentos Jurídicos

Riscos

O departamento jurídico e a efetiva gestão de crise

Procure pensar na empresa como um todo, em todo o modelo de negócio, e todos os riscos possíveis

Crédito: Pixabay

O advogado corporativo ‘não pode tudo’, mas espera-se que atue sempre com a maior qualidade possível, e que se dedique ao máximo. Façamos tudo o que pudermos muito bem feito! Pode ser esse o caminho para que ajudemos a empresa a colher os melhores frutos possíveis do nosso trabalho, e os melhores resultados da atividade a que nossa organização se dedica.

Ao menos a maioria dos “business plans” não contempla erros, imprevistos, “contenciosos” e crises. Acreditamos que esse já seja, por si só, um grande e grave erro das empresas, pois todos sabemos que ninguém acerta sempre, que risco existe em tudo na vida (em especial na atividade empreendedora e empresarial), e sobretudo se atuamos em um país que apesar de lindo e maravilhoso, tem tantos problemas e dificuldades quanto o nosso.

Como já abordamos em outras oportunidades, o surgimento de crises são é apenas uma das certezas da vida, elas (crises) como impossíveis de serem totalmente evitadas – ou seja, o caminho é lidarmos com elas e procurarmos geri-las.

Você é um bom gestor de crises?

Se nem sempre se consegue evitar as crises, e a despeito de todo o trabalho preventivo que sempre recomendamos, algumas realmente surgirão.

Temos, então, que realmente aprender o que seja atuar na “gestão de crise”, que é algo bem maior do que apenas participar da questão, ou observar e acompanhar. Especialmente nas crises graves, é preciso atuar profundamente e gerir de verdade.

Participar realmente do que entendemos ser a real gestão da crise começa por identificar e acompanhar riscos, começando o entendimento da crise pela gestão dos riscos.

Conhecendo ao menos a maioria dos riscos, não apenas se consegue evitar que vários deles se manifestem, como que sejam mitigados quando surgirem. E, dessa forma, a quantidade (e por vezes a magnitude) de crises será menor.

Temos que resgatar, também, o ensinamento reputado aos chineses no sentido de que a crise e a oportunidade são lados da mesma moeda, de forma que é preciso pensar nela, também como uma chance de criar, de inovar e de resolver questões.

Muitos dos medicamentos, das ferramentas, das técnicas e da tecnologia surgiram em momentos e situações de crise, que podem não apenas ensinar muito como ser efetivas oportunidades de inovação.

Quanto maior e mais complexa a crise for, maior o risco de que ela se transforme em catástrofe, e por vezes pode vir a custar a própria sobrevivência da empresa, mas maior também será o seu ensinamento e o nosso aprendizado.

Sabe-se que é com as grandes crises que aprendemos, até mesmo porque sabedores do que aconteceu, tudo faremos para que os mesmos erros não sejam cometidos novamente.

Muitos colegas ainda ficam “presos” aos passos formais e meramente técnico-jurídicos da crise, e nem sempre essa “limitação” de atuação é suficiente. A depender da crise, todos precisam participar de sua gestão e ajudar, e quanto mais nos anteciparmos e pensarmos em modelos de atuação (para as crises que se consiga antecipar), menos improvisos ocorrerão – e melhores resultados serão alcançados.

Procure pensar na empresa como um todo, em todo o modelo de negócio, e todos os riscos possíveis, e colabore com a empresa na identificação e na gestão dos riscos, para com isso tentar antecipar possíveis crises e como com elas lidar. Isso facilitará muito o trabalho do comitê de crise e minimizará problemas e prejuízos, além de talvez ajudar a preservar a imagem da empresa.

Temos que nos lembrar de que por mais que tenhamos que cuidar do patrimônio físico e financeiro da empresa, é a imagem e a reputação que mais contam – e que em geral tem mais valor.

Patrimônio físico e até dinheiro, por vezes se consegue depois recuperar, para muita coisa pode haver seguro, ou renegociação – para imagem e reputação não há remédio.

Aplicar as melhores práticas de relação com risco, com política de qualidade e de segurança, de Governança Corporativa e também de “Compliance” ajudam muito nesse contexto, pois são maneiras de se tentar reduzir imprevistos e posturas/ações que fujam do esperado, do padrão e do controle.

Lembremo-nos de que a maioria dos acidentes pode ser evitada, e no que for possível ao departamento jurídico, deve ser implementado.

Procuremos não apenas aceitar as crises e com elas aprender, mas entender que é preciso ter um ótimo projeto de gestão de crise, tantos no âmbito do departamento jurídico quanto da empresa como um todo.

E “prepare-se”, de uma forma ou de outra, em todas as crises da sua empresa, o advogado corporativo será chamado a atuar. Esteja preparado. Todas as crises serão “assunto seu”, e quanto mais envolvido na sua gestão você estiver, melhores resultados você talvez consiga ajudar a empresa a obter, e a menos danos sofrer. Reflita mais sobre esse tema, e sobre as melhores práticas da advocacia corporativa atualmente utilizadas no Brasil. Pode ajudar muito o seu trabalho e a sua carreira.


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