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Departamento jurídico, o risco e o exagero da visão de ‘curto prazo’

Qual é o seu papel e a sua responsabilidade nesse cenário?

Imagem: pixabay

Sua empresa é gerida em função de “quarters” ou de gerações? E qual é o seu papel e a sua responsabilidade nesse cenário? Caso você ainda não se tenha dado conta dessas questões, pode valer a pena prestar mais atenção e rever práticas e procedimentos. Tome muito cuidado com a pressa, o curto prazo e com a correria permanentes/constantes, bem como com o risco alto demais e com o excesso de confiança.

O abuso da “sorte” em geral é irresponsável, e todos temos que ajudar a reduzir a sua frequência e o seu alcance. No mundo corporativo, bem como na sociedade em geral, em certa medida é uma questão que nos afeta a todos.

Em quase tudo na vida é possível afirmar que o “segredo” esteja no equilíbrio, no “meio termo”. E afastar-se do equilíbrio pode ser extremamente perigoso e caro. Como a própria semântica nos ensina, desequilibrar-se pode levar a um grande “tombo”.

Os advogados corporativos sabem que devem ajudar as empresas a viabilizar seus negócios e projetos (sempre dentro da lei e da ética) e que nesse caminho correr riscos (calculados) é necessário – mas temos que tomar cuidado com o exagero.

Em alguns exemplos constataremos que os executivos aceitam riscos demais e tomam decisões muito perigosas por não terem a real consciência da situação, ou por não terem todas as informações que seriam necessárias para a escolha do que fazer, mas em outros casos pode ser abuso mesmo.

O que pode e deve ser feito pelo jurídico nesses (todos) casos? Pense bem em como esse assunto é tratado na sua empresa. Um dos mais perigosos exageros do atual formato de gestão corporativa mais frequente é a “ditadura da visão de curto prazo”.

Observamos com extrema preocupação o exagero, por vezes irresponsável, de alguns conselhos e diretorias de empresas da adoção da cultura do curto prazo.

Mais e mais temos visto “planos de negócios”, objetivos e metas, planos de remuneração, bônus, busca por resultados etc. baseados apenas no curto prazo. Sem preocupação com o “custo” desse sistema (que muitas vezes planta “bombas relógio” e algum tempo depois explodem os resultados e até a própria empresa) e a sua sustentabilidade. Resultados perseguidos “a todo preço e a todo custo”, costumam gear custos (em geral ocultos) que cobrarão da empresa não apenas os lucros (que então se demonstram fictícios) como prejuízos altíssimos.

Ocorre, ainda, mais e mais a verificação do custo de imagem, que vale mais do que dinheiro. Joga ao chão a reputação e até a própria empresa. A depender do caso, funcionários, gerentes, diretores, conselheiros e acionistas são responsabilizados, mas nem sempre encontrar os culpados é suficiente para reduzir os danos da conduta irresponsável e apressada.

O estigma dos “quarters” derivado da pressa dos especuladores do mercado de capitais pode destruir gerações, e empresas até centenárias e ditas super sólidas, quando caem na armadilha da visão míope na gestão.

Os departamentos jurídicos precisam tentar evitar essa mesma pressão e, mais ainda, a “casca de banana no chão” que a visão extremamente curta dos resultados insustentáveis representa.

Uma boa estrutura de governança corporativa e de “compliance”, assim como uma adequada matriz e gestão de risco podem ajudar, mas é preciso cuidado com teses mirabolantes, idéias malucas, caminhos mágicos e economias irreais.

Desde planejamentos tributários arriscados demais até fantasias redutoras do custo total trabalhista, ou as economias em programas de qualidade e de manutenção, entre outros, vemos que o risco é muitas vezes minimizado – e que os lucros chegam a cegar os executivos.  Na teoria o raciocínio nos parece ser muito simples (embora seja pouco utilizado), pois o efetivo resultado e o real alcance de metas, para que se justifique prêmios e bônus, devem ser verificados sem pressa, e no tempo devido e necessário para que se confirme que custos ocultos não foram gerados para que se obtivesse falsas economias e lucros.

Manutenção e reparos em instalações, peças, estruturas, equipamentos e construções, por exemplo, são muitas vezes adiadas, ou realizadas de formas “baratas demais”, gerando riscos enormes e, com frequência, até mesmo acidentes.

Embora a máxima não seja absoluta, e existam exemplos em sinal contrário, empresas com filosofia familiar de respeito à qualidade e à sustentabilidade (do negócio e da empresa), costumam tomar decisões e atuar com base em uma visão que envolve gerações; ao passo que muitas empresas “totalmente profissionalizadas” e que se dobram aos ambiciosos planos de alguns executivos – que se preocupam apenas com o próximo “quarter” e com o seu bônus – tendem a arriscar alto demais.

Os advogados corporativos nem sempre conseguirão identificar esses riscos exagerados e irresponsáveis, e por vezes não terão também autoridade/alçada para impedir que sejam assumidos, mas devem sim ajudar a empresa (e não apenas os seus executivos) a identificar o ponto de equilíbrio.

Conhecer e acompanhar o negócio e as atividades de perto, e participar das principais “tomadas de decisão” é fundamental, para que se tende reduzir a quantidade e o alcance dos passos mais arriscados. Procure trabalhar em empresas e com executivos não apenas melhor preparados e conscientes, como ainda mais cautelosos e preocupados com a sustentabilidade. O exagero da visão de curto prazo costuma ser uma péssima ideia a médio prazo. Resultados obtidos a um custo alto demais são simplesmente falsos.

Reflita mais sobre esse tema, e sobre as melhores práticas da advocacia corporativa atualmente utilizadas no Brasil. Pode ajudar muito o seu trabalho e a sua carreira.


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