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A advocacia corporativa e o efetivo aprendizado

Aprendendo com Nelson Motta: é o fracasso que nos ensina!

Imagem: PIxabay

Todos queremos, e precisamos, melhorar, evoluir, progredir e crescer permanentemente. E o aprendizado (constante) é a principal ferramenta nesse processo. Ao longo de toda a humanidade, nossa espécie vem mostrando inconformismo com a mesmice e com a inércia, procurando “fazer coisas novas, e diferentes”. Saímos “das cavernas” graças à curiosidade, à coragem, e ao desafio.

O culto ao acerto e ao sucesso, fora do contexto de aprendizado e do caminho para tanto, podem ser (e são!!) extremamente danosos, e gerar traumas nas pessoas e nas instituições, além de destruir justamente o que se precisa = a inovação, o experimento, a curiosidade e a criatividade. Para cada acerto colhido, muitos e muitos erros precisam ter ocorrido antes. E é com os tombos que se aprende a caminhar.

Uma das frases mais conhecidas sobre o caminho para esse “aprendizado” é a que nos ensina que “só se aprende fazendo, e, portanto, errando”.

Na mesma direção, conhecemos, também, o conceito de que “só não erra, quem não faz nada”. Embora, para muitos, fique bem claro que quem nada faz já está, por essa própria apatia, errando. Ou seja, temos que ir além de aceitar o erro (apenas) como natural que é, e passar a vê-lo (também)  como necessário, como aliado.

Essa questão está presente na nossa vida, na nossa profissão, nas questões pessoais e sociais. E está, igualmente, presente, na advocacia corporativa, e nos departamentos jurídicos. O importante, da maneira como vemos o assunto, é que todos de fato aprendamos com os erros, para que o fracasso se transforme em sucesso.

Nos departamentos jurídicos, é importante que os gestores entendam, valorizem, permitam, e (de certa forma até) “estimulem” (na verdade autorizem) o erro controlado/calculado, como ferramenta de aprendizado, de inovação, de evolução. Longe de ser uma absurda apologia ao erro em si, ao erro pelo erro, pretendemos, com este breve artigo, lembrar o leitor, e o gestor das equipes jurídicas, que pior do que o erro é o medo de errar, pois esse paralisa, destrói a coragem e a iniciativa, impede a criatividade e a inovação, e acaba com a chance de evolução e de melhoria.

O mundo corporativo é cada vez mais desafiador, competitivo, difícil, cheio de restrições. E crescentemente precisa de novidades, de inovação, de que pessoas e empresas “façam o diferente, o novo”.

Como seria possível pedir às pessoas e às empresas que acertem, que criem, que quebrem padrões e paradigmas, que ousem, que inovem, sem permitir o erro? O “segredo” está, justamente, na postura e na atitude do gestor, que como um maestro, deve alinhar seus recursos (no caso, especialmente os humanos) para que sejam livres para inovar, criar e propor, e que o aprendizado seja de fato permitido e estimulado –  Com vistas à linda sinfonia que se pretende apresentar.

A despeito da educação e da formação formais, estruturadas e institucionalizadas, é preciso que o aprendizado “on the job”, “hands on” ocorra a todo momento. E um dos maiores aliados do aprendizado é o exemplo. Ou seja,”walk the talk”.

Quanto mais as equipes souberem que podem (e devem) inovar e criar, e que estão autorizadas a errar na trajetória para o sucesso, mais se ajudarão, e mais criarão formas de errar de forma calculada e controlada, acertando o ritmo e a extensão do erro, já considerando os remédios e os ajustes para reduzir o risco e corrigir rapidamente.

Os acertos são ótimos e importantes, mas de fato não são propriamente eles que nos ensinam. O chamado sucesso, é bom e recompensa, mas é a trajetória (sempre repleta de tombos e de erros) que ensina, corrige, aprimora, desafia e enriquece. Existem mesmo muitas frases semelhantes, seja na sabedoria popular seja em ditados e bordões, sempre na linha do incentivo à tentativa, à ação, ao movimento, à atitude, e aliando ao processo a necessidade e a importância do “erro”, que é o que de fato nos ensina. E estimula a tentar errar menos, e a cometer outros erros, “erros novos”.

Uma dessas célebres frases, reputada a Nelson Motta, propõe (“mais ou menos”) que “o sucesso é muito bom, mas não nos ensina nada. O verdadeiro aprendizado vem do fracasso”. Seja no mundo da musica, no do teatro, no dos shows e no dos musicais (como ensina Nelson), seja no esporte ou na vida corporativa, é preciso muito esforço, muita tentativa, muito ensaio, muito aprendizado com o erro, para que se colha os aplausos.

Entendemos que esse pensamento é de fato muito sábio, e que nos remete à necessidade do erro, mas também à necessidade de que ele esteja sempre aliado ao aprendizado. Se errar é humano, errar sem que se aprenda com isso, já não pode ser propriamente reconhecido como inteligente.

Errar apenas por errar, apenas por teimosia, ou apenas por “cegueira”, errar por “filosofia”, e as demais formas do erro pelo erro, são apenas perda de energia. Não servem para nada. E podem gerar, ainda sofrimento.

Optemos, pois, por perseguir sim o sucesso, mas para isso, aprendamos com os erros, com os fracassos, com o que não deu certo… Respeitemos o aprendizado pelo erro. Para que consigamos corrigir e melhorar –  e acertar!

“Matando” a liberdade de errar, e de criar, perdermos todo o nossos caráter humano, deixaremos de aprender e de melhorar, e entregaremos tudo às máquinas. Esse é um dos temas que a atual realidade dos departamentos jurídicos inovadores mais demanda, e que mais se estuda e debate nos diversos foros que já temos no País. Procure conhecer mais. Pode ser útil a você, e a sua equipe!


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